Ciência

Reino Unido desenvolve tecnologia que converte água do mar em hidrogênio para propulsão de embarcações

06 de Julho de 2026 às 06:31

O Reino Unido desenvolveu a tecnologia GH2DEM, que converte água do mar em hidrogênio para propulsão de embarcações sem emitir dióxido de carbono. O sistema, criado pela Genuine H2 e Brunel University of London, dispensa a dessalinização e armazena o combustível em temperatura e pressão ambiente. O protótipo opera desde março com investimento de quase dois milhões de euros

Reino Unido desenvolve tecnologia que converte água do mar em hidrogênio para propulsão de embarcações
Genuine H2/Sefa Ozel

O Reino Unido desenvolveu a tecnologia GH2DEM, um sistema capaz de converter água do mar em hidrogênio diretamente a bordo de embarcações para substituir o uso de diesel. Liderada pela startup Genuine H2 e pela Brunel University of London, a iniciativa integra a produção, o armazenamento e o consumo do combustível em uma única etapa, visando a propulsão de motores sem a emissão direta de dióxido de carbono.

O funcionamento do mecanismo baseia-se em dois componentes centrais. O primeiro é um eletrodo que extrai o hidrogênio da água salgada, eliminando a etapa de dessalinização, geralmente complexa e onerosa. O segundo elemento é uma nanopelícula, com espessura inferior à do papel, que retém o gás em forma sólida molecular. Essa inovação permite que o combustível seja armazenado em temperatura e pressão ambiente, dispensando o uso de tanques pressurizados ou sistemas criogênicos volumosos.

Devido a essa facilidade de armazenamento, o sistema é indicado para embarcações onde a implementação de baterias é impraticável, como rebocadores, navios de pesca, barcos de passageiros e veículos de serviço portuário. O processo consiste em dividir a água do mar por meio de eletricidade renovável para obter o hidrogênio, que é então queimado no motor em substituição aos combustíveis fósseis.

O protótipo do projeto está em operação desde março deste ano, servindo como fase preparatória para a implementação em ambiente marítimo real. O desenvolvimento conta com um investimento de quase dois milhões de euros, provenientes da Innovate UK e do programa UK SHORE do Department for Transport, parte de um montante de 40 milhões de euros destinado à descarbonização do transporte marítimo britânico.

Apesar do avanço, a viabilidade total da tecnologia ainda depende da superação de obstáculos técnicos. Os desenvolvedores apontam a necessidade de aprimorar a eficiência energética, garantir a confiabilidade em trajetos contínuos e mitigar a corrosão causada pela salinidade, além de assegurar a segurança do armazenamento e a obtenção de aprovações regulatórias. Caso o protótipo seja validado, o modelo permitirá que o principal resíduo da propulsão seja vapor e água pura.

Notícias Relacionadas