Relâmpagos em Júpiter possuem energia até 100 vezes superior à dos raios da Terra
Estudo publicado na revista AGU Advances indica que relâmpagos em Júpiter possuem energia até 100 vezes superior aos raios terrestres. A análise de dados da sonda Juno identificou 613 pulsos de radiação de micro-ondas em tempestades isoladas entre 2021 e 2022
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Relâmpagos em Júpiter possuem energia até 100 vezes superior à dos raios terrestres, revelou um estudo publicado em março na revista científica AGU Advances. A descoberta foi possível graças à análise de dados da missão Juno, da NASA, que permitiu mensurar a potência das descargas elétricas na atmosfera do gigante gasoso.
Embora a existência de raios em Júpiter fosse conhecida por meio de clarões detectados no lado escuro do planeta em missões anteriores, a precisão dos dados aumentou com a órbita da sonda Juno, iniciada em 2016. O equipamento utiliza instrumentos de captação de ondas de rádio que, apesar de não terem sido criados especificamente para essa função, conseguem registrar emissões de micro-ondas provenientes de tempestades próximas.
A complexidade do estudo residia na natureza caótica da atmosfera joviana, onde múltiplas tempestades ocorrem simultaneamente. Essa sobreposição dificultava a identificação de qual sistema meteorológico gerava cada raio e, consequentemente, impedia a determinação da potência real das descargas. Michael Wong, cientista do Laboratório de Ciências Espaciais da UC Berkeley e autor principal da pesquisa, comparou a situação a ouvir estalos sem conseguir distinguir se a origem eram pipocas próximas ou fogos de artifício distantes.
A análise tornou-se viável entre 2021 e 2022, quando a Faixa Equatorial Norte do planeta apresentou uma redução na atividade de tempestades. Esse cenário permitiu que os pesquisadores isolassem cada evento, utilizando imagens da câmera da Juno, do Telescópio Espacial Hubble e de astrônomos amadores para a localização precisa. Durante esse intervalo, a sonda sobrevoou 12 tempestades isoladas, aproximando-se o suficiente para medir a estática de micro-ondas em quatro delas, com uma frequência média de três relâmpagos por segundo.
No total, foram detectados 613 pulsos de radiação de micro-ondas. A potência dessas descargas variou desde níveis equivalentes aos raios da Terra até magnitudes 100 vezes maiores. A conversão dessa potência de micro-ondas para a energia total do raio é complexa, pois as descargas provavelmente geram também energia química, acústica e térmica.
A investigação agora se volta para as diferenças estruturais entre as atmosferas. Enquanto a Terra é rica em nitrogênio, Júpiter possui uma composição rica em hidrogênio. Michael Wong aponta que a diferença de potência pode estar relacionada a essa composição química ou ao fato de as tempestades em Júpiter serem mais altas, envolvendo distâncias maiores para a condução da eletricidade.