Robô Helios é desenvolvido para automatizar tarefas logísticas e reduzir a carga de trabalho de astronautas
A Orbit Robotics desenvolveu o Helios, robô de quatro braços com sistema de tendões para operar em microgravidade. A máquina automatiza tarefas logísticas e repetitivas na Estação Espacial Internacional para reduzir custos e liberar astronautas para pesquisas
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A Orbit Robotics, projeto acadêmico originado no ETH Zurich, desenvolveu o Helios, um robô projetado especificamente para operar em ambientes de microgravidade. Diferente de modelos humanoides, a máquina dispensa pernas, priorizando a estabilidade e a manipulação de objetos em espaços onde a ausência de gravidade torna a locomoção terrestre obsoleta.
A estrutura do Helios baseia-se em quatro braços com funções distintas: dois pares são utilizados simultaneamente, sendo que um par fixa o robô às superfícies internas da estação espacial, enquanto o outro executa tarefas como a movimentação de equipamentos, manipulação de ferramentas e descarregamento de carga.
Para otimizar o peso e a precisão, a engenharia do robô substituiu os motores em cada articulação por um sistema de tendões, com motores posicionados próximos aos ombros que transmitem a força via polias e cabos. O projeto inclui ainda uma articulação de cotovelo com rolamento, detalhe técnico essencial para evitar movimentos bruscos que poderiam desestabilizar a máquina ou os objetos manipulados no vácuo.
O desenvolvimento do Helios foi precedido pelo IKARUS, plataforma que serviu como banco de testes para manipulação bimanual, aprendizado por imitação e teleoperação, validando a abordagem de design adotada posteriormente.
A implementação do robô visa retirar dos astronautas a carga de tarefas repetitivas e pesadas, que atualmente consomem cerca de 35% do tempo da tripulação na Estação Espacial Internacional. Considerando que o custo estimado de um astronauta é de 140 mil dólares por hora, a automação da logística e da classificação de suprimentos reduz desperdícios financeiros e permite que os tripulantes foquem em pesquisas científicas, como bioimpressão de órgãos, tratamentos oncológicos e estudos sobre o envelhecimento.
Embora a aplicação inicial seja em ambientes internos, a Orbit Robotics prevê a expansão do uso do Helios para a construção no espaço exterior e manutenção de satélites. Essa perspectiva é impulsionada pela queda nos custos de lançamento, exemplificada por programas como o Starship da SpaceX, o que deve elevar o número de habitats comerciais e estações orbitais.
A estratégia da empresa foca na colaboração entre humanos e máquinas, criando uma infraestrutura de suporte ao astronauta. Essa abordagem surge em um contexto onde as evidências sobre os danos da radiação, perda de massa óssea, problemas cognitivos e visuais causados pelo deslocamento de fluidos cerebrais tornam a permanência humana no espaço um desafio biológico crescente.