Ciência

Robô inspirado em verme é desenvolvido para explorar terrenos irregulares de Marte e da Lua

14 de Maio de 2026 às 06:14

Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo criaram um robô flexível inspirado no verme medidor para explorar terrenos de Marte e da Lua. Financiado pela ESA, o protótipo utiliza músculos artificiais de elastômero e nanotubos de carbono para resistir à radiação e se locomover sem rodas. O dispositivo será validado em simuladores de superfícies extraterrestres nos Países Baixos

Robô inspirado em verme é desenvolvido para explorar terrenos irregulares de Marte e da Lua
ESA

Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo desenvolveram um protótipo de robô macio, inspirado na locomoção do verme medidor (Geometridae), para atuar em terrenos irregulares de Marte e da Lua. O projeto, financiado pela Agência Espacial Europeia (ESA), propõe a substituição dos tradicionais rovers rígidos — que dependem de rodas e articulações complexas — por um corpo flexível capaz de se contrair e expandir para avançar em superfícies difíceis.

O mecanismo central do dispositivo é o atuador elastomérico dielétrico enrolado (RDEA), que funciona como um músculo artificial. Ao receber voltagem, esse componente altera sua forma, permitindo que o robô se desloque em múltiplas direções sem a necessidade de uma arquitetura eletrônica sofisticada ou de diversos atuadores. A escolha do verme medidor como modelo biológico justifica-se pela simplicidade e eficácia de seu movimento, baseado essencialmente na extensão e contração corporal para adaptação ao solo.

Para garantir a durabilidade em missões prolongadas, a equipe utilizou nanotubos de carbono de parede simples na fabricação de eletrodos flexíveis. Essa composição protege o sistema contra a radiação marciana, suportando a exposição a prótons e partículas alfa com níveis de energia de 10 MeV. Além disso, o uso de baixas voltagens reduz o consumo energético e minimiza riscos de falhas técnicas. A arquitetura do músculo artificial cilíndrico permite que o robô continue operando mesmo se o componente for perfurado ou sofrer cortes parciais.

Durante a fase de ensaios, observou-se que o robô consegue orientar sua trajetória por meio de navegação passiva, interagindo com ranhuras na superfície. Ao prender as patas dianteiras em sulcos, o corpo se alinha à direção do terreno. Testes com ângulos de ranhura variando entre 0 e 30 graus demonstraram que a inclinação da superfície influencia diretamente o grau de giro do dispositivo, eliminando a necessidade de sistemas de direção a bordo.

Atualmente em estágio laboratorial, o protótipo passará por ciclos térmicos, novos testes de radiação e integração de sensores leves. A etapa final de validação ocorrerá no Mars Yard da ESA, nos Países Baixos, onde a tecnologia será testada em instalações que simulam superfícies extraterrestres.

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