Ciência

Robô submarino recupera comunicação na Antártida e traz dados inéditos sobre o derretimento do gelo

09 de Junho de 2026 às 06:20

Robô submarino do programa Argo retomou a comunicação após oito meses sob plataformas de gelo na Antártida Oriental. O dispositivo coletou dados de temperatura, salinidade e pressão, identificando a entrada de água temperada no glaciar Denman. As medições foram publicadas na revista Science Advances

Robô submarino recupera comunicação na Antártida e traz dados inéditos sobre o derretimento do gelo
Australian Antarctic Division/Pete Harmsen

Um robô submarino do programa internacional Argo recuperou a comunicação com pesquisadores após oito meses de silêncio sob as plataformas de gelo de Denman e Shackleton, na região oriental da Antártida. O dispositivo, que operava em correntes extremamente frias há mais de dois anos e meio, retornou com medições inéditas sobre a vulnerabilidade do gelo e a potencial influência desse processo na elevação do nível do mar.

A missão resultou no primeiro transecto completo realizado sob uma plataforma da Antártida Oriental. Durante o período em que ficou retido sob o gelo, o veículo autônomo foi impedido de subir à superfície para transmitir dados via satélite, mas manteve a coleta de perfis oceanográficos a cada cinco dias, registrando informações desde o fundo do mar até a base da plataforma. O aparelho monitorou variáveis de temperatura, salinidade, pressão, oxigênio, pH e nitratos, focando especialmente na camada de 10 metros onde ocorre a transferência de calor entre o oceano e o gelo.

Os dados, analisados por pesquisadores do CSIRO e do Australian Antarctic Program Partnership e publicados na revista Science Advances, revelam comportamentos distintos entre as estruturas glaciares. Enquanto a plataforma de Shackleton apresenta estabilidade por não estar exposta a águas aquecidas, o glaciar Denman exibe a entrada de água temperada em sua estrutura. Essa condição indica que pequenas variações na espessura da camada de água quente podem acelerar o derretimento e provocar um retrocesso instável do gelo.

Para localizar espacialmente as medições coletadas durante os oito meses de deriva, a equipe reconstruiu a rota do robô comparando as profundidades registradas em cada colisão do dispositivo com a base gelada com imagens de satélite.

O acesso a essas áreas remotas, onde a observação direta é inviável, permite refinar os modelos climáticos e a representação dos processos de derretimento. Steve Rintoul destacou que a ampliação do lançamento de boias ao longo da plataforma continental antártica aprimoraria a compreensão sobre a vulnerabilidade da região frente às mudanças oceânicas. A professora Delphine Lannuzel ressaltou a capacidade de um instrumento de pequenas dimensões em coletar informações anteriormente impossíveis de obter em uma região tão vasta, o que possibilita antecipar cenários de risco para áreas costeiras habitadas.

Com informações de El Confidencial

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