Ciência

Rocha no Parque Nacional de Ubajara preserva vestígios de invertebrados marinhos de 430 milhões de anos

16 de Maio de 2026 às 06:19

Uma rocha de 700 kg com icnofósseis de invertebrados marinhos de 430 milhões de anos foi identificada no Parque Nacional de Ubajara, Ceará. O material, analisado pelo Labopaleo da UVA, integra o acervo do Museu Dom José e está exposto na unidade de conservação

Rocha no Parque Nacional de Ubajara preserva vestígios de invertebrados marinhos de 430 milhões de anos
Fóssil de 430 milhões de anos achado no Ceará reforça evidências de antigo mar na Serra da Ibiapaba e fica exposto em Ubajara. (Imagem: Ilustrativa)

Uma rocha de aproximadamente 700 kg, localizada no Parque Nacional de Ubajara, no interior do Ceará, preserva vestígios de invertebrados marinhos datados de cerca de 430 milhões de anos. A identificação do material, realizada pelo Laboratório de Paleontologia (Labopaleo) da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), indica que a região onde hoje se encontra a Serra da Ibiapaba esteve associada a um antigo ambiente marinho em uma fase remota da história da Terra.

Os registros são classificados como icnofósseis, que consistem em evidências indiretas da atividade de organismos em sedimentos ou rochas. Diferente dos fósseis corporais, como conchas ou ossos, esse tipo de registro preserva marcas de interação com o ambiente, incluindo rastros de deslocamento, alimentação, repouso e escavação. No caso da peça encontrada no município de Tianguá, as marcas na superfície da rocha registram o comportamento de invertebrados marinhos em um período anterior ao surgimento dos dinossauros e à configuração atual do relevo da Serra da Ibiapaba.

A descoberta amplia a documentação paleontológica do noroeste cearense, evidenciando que registros fósseis existem em áreas além da Bacia do Araripe. A análise do contexto geológico e dos vestígios permite compreender as transformações territoriais ocorridas ao longo de centenas de milhões de anos, revelando que a paisagem atual de serras e formações rochosas é resultado de processos posteriores à deposição dos sedimentos onde os organismos viveram.

Devido ao peso e às necessidades de preservação, a remoção e a destinação da rocha exigiram a cooperação entre moradores locais, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e instituições de pesquisa. A peça integra o acervo do Museu Dom José, em Sobral, mas permanece cedida por tempo indeterminado ao Parque Nacional de Ubajara.

A exposição do material no parque, cujas imagens foram divulgadas em 8 de maio, visa conciliar a guarda museológica com a educação científica. A permanência da rocha em uma unidade de conservação permite que estudantes, pesquisadores e turistas associem a geografia atual da região aos processos geológicos ancestrais, agregando uma dimensão paleontológica ao roteiro de visitação do parque, já conhecido por suas cavernas e trilhas.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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