Ciência

Rochas vulcânicas no Reino Unido podem armazenar até 38 bilhões de toneladas de dióxido de carbono

05 de Maio de 2026 às 15:10

Rochas vulcânicas no Reino Unido podem armazenar de 42 milhões a 38 bilhões de toneladas de CO₂, volume equivalente a 45 anos de emissões industriais britânicas de 2017. O método converte o gás em minerais sólidos em formações de basalto, gabro e anortosito nas Highlands escocesas, Ilhas Shetland e Antrim. A viabilidade prática depende de estudos de permeabilidade e mapeamento de fraturas subterrâneas

Rochas vulcânicas no Reino Unido apresentam potencial para armazenar entre 42 milhões e 38 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂), oferecendo uma alternativa para a mitigação de emissões industriais. A descoberta, detalhada na revista *Earth Science, Systems and Society*, indica que oito formações geológicas avaliadas poderiam absorver o equivalente a 45 anos de emissões do setor industrial britânico, considerando o volume de 72 milhões de toneladas de CO₂ registrado no país em 2017.

A técnica consiste na captura do gás em fontes industriais, que é posteriormente dissolvido em água e injetado no subsolo. Ao circular por poros e fissuras, o fluido reage com minerais de magnésio e ferro presentes nas rochas, desencadeando um processo de mineralização. Essa reação química converte o CO₂ em compostos sólidos, como carbonatos, o que impede que o gás retorne à atmosfera.

A eficiência do método reside na composição química das rochas locais, especialmente em formações de basalto, gabro e anortosito, que facilitam a criação de minerais estáveis. O estudo identificou três zonas principais com condições favoráveis: as Highlands escocesas, as Ilhas Shetland e a região de Antrim, na Irlanda do Norte. Nessas áreas, camadas espessas de rochas vulcânicas situam-se em profundidades adequadas e possuem extensões contínuas, permitindo a aplicação do sistema em larga escala.

Essa solução geológica é direcionada a setores com maior dificuldade de descarbonização total, como as indústrias de produtos químicos, aço e cimento. O armazenamento atua como uma medida complementar, focada no controle do carbono que ainda não pode ser eliminado por outros meios de redução.

Embora os números sejam expressivos, os dados atuais são teóricos. A viabilidade prática depende de fatores como a acessibilidade das formações, a permeabilidade das rochas e a possibilidade de reações químicas alterarem a estrutura geológica ao longo do tempo, reduzindo o espaço disponível para o gás. Para a implementação, serão necessários estudos detalhados, incluindo o mapeamento de fraturas subterrâneas, análise do fluxo de fluidos e a realização de perfurações para validar a eficiência da reação mineral nas áreas identificadas.

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