Rússia conclui teste de fórmula revolucionária de combustível nuclear chamada REMIX
A Rússia concluiu testes de uma fórmula revolucionária chamada REMIX, que combina urânio reciclado e plutônio recuperado. O objetivo é permitir a reutilização de materiais do combustível usado nos reatores VVER-1000 sem necessidade de redesenhar as instalações. Os próximos passos incluem estudos pós-irradiação para qualificar o combustível e sua futura entrada no mercado
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A Rússia avançou significativamente na estratégia para melhorar a eficiência do combustível nuclear, ao encerrar recentemente o teste industrial de uma fórmula revolucionária chamada REMIX. Essa mistura inovadora combina urânio reciclado, plutônio recuperado e um pouco de urânio enriquecido.
Um dos principais objetivos da Rússia com essa tecnologia é permitir que os reatores VVER-1000, a peça central do parque nuclear russo, reaproveitem materiais provenientes do combustível usado sem necessidade de redesenhar as instalações. A Rosatom divulgou informações sobre o processo visando fechar o ciclo do combustível e ampliar a base de recursos da indústria nuclear.
O teste foi realizado na unidade 1 da usina nuclear de Balakovo, onde seis conjuntos experimentais deste combustível foram carregados em 2021. Três desses conjuntos foram removidos em 2024 para análise intermediária, enquanto os três restantes agora completaram o terceiro e último ciclo operacional de 18 meses.
O combustível REMIX é projetado especificamente para reatores de água leve, combinando urânio recuperados do combustível nuclear usado com plutônio reciclado e uma adição de urânio enriquecido. Segundo a Rosatom, essa mistura permite manter um comportamento neutro muito semelhante ao dos combustíveis convencionais.
A estratégia da Rússia é baseada na ideia do ciclo equilibrado de combustível nuclear, que visa separar os materiais irradiados ainda aproveitáveis e deixá-los para a eliminação apenas aqueles produtos de fissão. Com essa tecnologia, a Rússia busca reduzir o volume e atividade dos resíduos radioativos, diminuir riscos ambientais associados à sua gestão e se aproximar de um modelo em que seus reatores possam operar por mais tempo com fornecimento estável.
Os próximos passos incluem enviar os conjuntos extraídos para o Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos, onde serão realizados estudos pós-irradiação. A empresa TVEL apresenta a operação como a culminação de quase uma década de experiência acumulada com este tipo de combustível.
Esses estudos determinarão o avanço na qualificação e futura entrada no mercado do combustível urânio-plutônio para reatores VVER, algo que até então não se concretizava dessa forma.