Rússia investe 22,5 bilhões de euros em estratégia para reverter o envelhecimento biológico humano
O governo russo investirá 22,5 bilhões de euros em medicina regenerativa e engenharia genética para reverter o envelhecimento biológico. O projeto, coordenado por Maria Vorontsova e Mikhail Kovalchuk, visa realizar transplantes de órgãos artificiais até 2030
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O governo russo destinou 22,5 bilhões de euros para a implementação de uma estratégia de saúde pública focada na reversão do envelhecimento biológico e na promoção da longevidade extrema. Coordenado pelo Kremlin, o investimento será distribuído entre diversas instituições científicas para o desenvolvimento de técnicas de medicina regenerativa, com a meta de prolongar a vida e combater o declínio físico da população até o fim desta década.
A base do projeto combina a engenharia genética com a fabricação automatizada de tecidos artificiais. O objetivo é transitar de um modelo de reparação de danos para a substituição sistemática de componentes orgânicos danificados no corpo humano. Para isso, as equipes de pesquisa concentram-se na bioimpressão 3D de tecidos vivos e no cultivo de estruturas humanas em porcos-espinho, visando a realização de transplantes de órgãos artificiais totalmente funcionais até 2030.
Os avanços iniciais do programa incluem a criação de cartilagem humana e de uma glândula tireoide de rato via impressão celular. Simultaneamente, são desenvolvidas terapias genéticas para retardar o desgaste celular e mitigar o processo natural de envelhecimento. A gestão da política científica é conduzida pela endocrinóloga Maria Vorontsova, filha do presidente, e pelo físico Mikhail Kovalchuk, diretor do Instituto Kurchatov, que defende a possibilidade de tratar a velhice como um problema técnico solucionável por meio de substituições orgânicas rotineiras.
Apesar das metas, a comunidade científica internacional questiona a viabilidade do projeto, pois a maioria dos ensaios não foi submetida a revisões por pares. Existe um distanciamento entre as promessas de Moscou e as evidências empíricas comprovadas. Esse cenário de validação é dificultado pelo isolamento decorrente do conflito na Ucrânia, que restringiu a cooperação com centros de pesquisa ocidentais e contrasta com a realidade demográfica russa, onde a expectativa de vida dos homens é de 68 anos.