Ciência

Satélite chinês permite a criação do primeiro mapa de alta resolução sobre a poluição luminosa ibérica

07 de Julho de 2026 às 06:47

O projeto RALAN-Map EU criou o primeiro mapa de alta resolução sobre a poluição luminosa na Península Ibérica e arquipélagos adjacentes usando dados do satélite chinês SDGSAT-1. A ferramenta de 40 metros de resolução identifica a intensidade e a temperatura da cor da luz em centros urbanos e zonas rurais. O estudo constatou que municípios com menos de 5.000 habitantes utilizam iluminações mais frias e azuladas devido à substituição por tecnologia LED

Satélite chinês permite a criação do primeiro mapa de alta resolução sobre a poluição luminosa ibérica
NASA/B. Hines

A utilização de dados do satélite chinês SDGSAT-1 permitiu a criação do primeiro mapa de alta resolução calibrado sobre a poluição luminosa na Península Ibérica, abrangendo também as Ilhas Canárias, Madeira e Baleares. Desenvolvida por meio do projeto RALAN-Map EU, a iniciativa contou com a colaboração da Universidade Complutense de Madrid e do International Research Center of Big Data for Sustainable Development Goals.

A ferramenta alcança uma resolução de 40 metros, escala que possibilita a análise detalhada da iluminação noturna em grandes centros urbanos, municípios e zonas rurais. O estudo identifica não apenas a intensidade do brilho artificial, mas a temperatura da cor da luz emitida, fator determinante para compreender os impactos ambientais nos ritmos biológicos, na biodiversidade e na visibilidade do céu noturno.

Os dados revelam que a mudança mais significativa na composição da luz ocorre em pequenas localidades. Municípios com menos de 5.000 habitantes apresentam uma transição para iluminações mais frias e azuladas, resultado da substituição de lâmpadas antigas por tecnologia LED branca. Esse cenário contrasta com diversas capitais de província, onde a permanência de instalações obsoletas mantém a predominância de luzes mais quentes e amareladas.

Embora emitam um volume maior de luz, alguns grandes centros urbanos exibem tonalidades menos agressivas do que diversos vilarejos. Essa disparidade ocorre porque a substituição integral do parque de iluminação em cidades extensas é mais dispendiosa e demorada do que em localidades menores, resultando em sistemas que, paradoxalmente, mostram-se mais sustentáveis em termos de temperatura de cor.

A predominância da luz azul é um ponto de atenção técnica, pois suas ondas se dispersam com maior facilidade na atmosfera, prejudicando a observação astronômica e interferindo nos ciclos naturais de diversos organismos. Dessa forma, o mapeamento permite localizar precisamente quais municípios adotaram sistemas de iluminação com maior potencial de dano ambiental.

O levantamento serve como base técnica para que urbanistas, conservacionistas e administrações públicas implementem medidas de redução do impacto luminoso. Com as informações precisas do SDGSAT-1, é possível orientar a escolha de lâmpadas de tons mais quentes e a limitação de emissões desnecessárias para a atmosfera.

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