Satélites da rede Starlink causam fenômeno de luzes alinhadas no céu de diversas regiões brasileiras
Sequências de luzes avistadas no Brasil são satélites da rede Starlink, da SpaceX, que orbitam a 550 quilômetros de altitude. O fenômeno ocorre após lançamentos do foguete Falcon 9, com a reflexão da luz solar tornando os aparelhos visíveis. A constelação possui mais de 10.280 unidades operacionais

A observação de sequências de luzes alinhadas cruzando o céu noturno tem se tornado frequente em diversas regiões do Brasil, gerando registros virais em redes sociais e questionamentos sobre a natureza do fenômeno. Essas luzes, que se assemelham a um "comboio espacial", são, na verdade, satélites da rede Starlink, desenvolvida pela SpaceX para viabilizar a internet global de alta velocidade, especialmente em locais remotos onde a infraestrutura de cabos é limitada.
O efeito visual de dezenas de pontos brilhantes movendo-se na mesma direção ocorre logo após o lançamento pelo foguete Falcon 9. Nesse estágio inicial, as unidades permanecem agrupadas em uma formação linear antes de subirem gradualmente para suas órbitas operacionais definitivas, momento em que o "trem de satélites" deixa de ser visível.
Esses dispositivos operam em órbita terrestre baixa, a aproximadamente 550 quilômetros de altitude, deslocando-se a cerca de 27 mil km/h. Essa velocidade permite que completem uma volta ao redor da Terra em 90 minutos, o que explica por que o fenômeno dura poucos minutos no horizonte ou por que os satélites podem reaparecer em menos de duas horas em nova passagem orbital.
A visibilidade a olho nu é resultado da reflexão da luz solar nos painéis planos dos satélites. O fenômeno é mais intenso em horários específicos, quando o solo já está escuro, mas os aparelhos, devido à altitude elevada, ainda recebem a iluminação do Sol. Dependendo do ângulo entre o observador, o satélite e a estrela, o brilho pode ser extremamente intenso, tendo causado inclusive estranhamento em relatos de pilotos.
Atualmente, a constelação já ultrapassou a marca de 10 mil satélites em órbita, com mais de 10.280 unidades operacionais. A estrutura, que se tornou uma das maiores criações artificiais ao redor do planeta, possui planos de expansão para dezenas de milhares de novas unidades. Para reduzir a latência em comparação aos sistemas geoestacionários tradicionais, a rede utiliza a comunicação em órbita baixa.
Apesar do interesse do público, que agora pode monitorar as passagens por meio de plataformas como o FindStarlink, o crescimento da rede gera preocupações na comunidade científica. A União Astronômica Internacional criou iniciativas para monitorar como essas megaconstelações impactam a astronomia observacional, já que o brilho orbital interfere em imagens de longa exposição de telescópios profissionais. Paralelamente, estudos analisam os impactos ambientais decorrentes do aumento de lançamentos e da queima de satélites ao reentrarem na atmosfera.