Ciência

Sedimentos do Grande Buraco Azul revelam aumento de tempestades tropicais no Caribe há seis milênios

05 de Junho de 2026 às 06:13

Sedimentos do Grande Buraco Azul, em Belize, revelaram que a frequência de tempestades tropicais no Caribe aumentou nos últimos 5.700 anos. O estudo publicado na Science Geology atribui a aceleração recente ao aquecimento dos oceanos, episódios de La Niña e mudanças na Zona de Convergência Intertropical

Sedimentos do Grande Buraco Azul revelam aumento de tempestades tropicais no Caribe há seis milênios
El gran agujero azul de Belice.

Uma amostra de sedimentos extraída a 30 metros de profundidade no Grande Buraco Azul, cavidade marinha localizada na costa de Belize, revelou o registro mais extenso e contínuo de tempestades tropicais no Caribe, abrangendo quase seis milênios. O estudo, publicado na revista *Science Geology* e liderado por Dominik Schmitt, identificou que a frequência de fenômenos ciclônicos na região aumentou progressivamente desde 5.700 anos atrás, com uma aceleração acentuada nas últimas duas décadas.

A análise das camadas de sedimentos depositadas após a passagem desses sistemas permitiu a reconstrução precisa da história climática local. Os dados indicam que o aquecimento das temperaturas superficiais do oceano, intensificado pelas emissões poluentes desde a Revolução Industrial, é um dos fatores centrais para a maior incidência de tempestades.

Além do aquecimento oceânico, a pesquisa aponta a influência de episódios mais intensos de La Niña e o deslocamento para o sul da Zona de Convergência Intertropical. Essa alteração na faixa climática, que regula a formação e a trajetória de ciclones no Atlântico, tem levado as rotas das tempestades para latitudes mais baixas.

A equipe científica descartou que essa alta frequência de eventos seja resultado de radiação solar ou oscilações naturais do clima, classificando-a como um sinal do impacto do aquecimento global moderno no sistema climático tropical. Caso a tendência atual persista, as estimativas indicam que o Caribe poderá registrar até 45 tempestades tropicais e furacões até o ano 2100, volume que supera qualquer outro século documentado no registro sedimentário.

Com informações de El Confidencial

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