Sensores externos identificam pressão arterial ideal em pacientes com lesões cerebrais graves sem cirurgia
Estudo na revista Critical Care validou sensores externos da brain4care para medir a pressão arterial em pacientes com lesões cerebrais graves. A tecnologia não invasiva apresentou precisão similar ao método cirúrgico em análise com 114 pacientes no Brasil, Estados Unidos e Portugal
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/I/tMZMXTQBWVBreInTETaA/adobestock-398014583.jpeg)
Um novo estudo publicado na revista *Critical Care*, do grupo Springer Nature, comprovou a eficácia de sensores externos para identificar a pressão arterial ideal em pacientes com lesões cerebrais graves. A tecnologia não invasiva apresentou precisão equivalente ao método de monitorização invasiva, considerado o padrão-ouro na medicina intensiva, permitindo o manejo hemodinâmico cerebral personalizado sem a necessidade de intervenções cirúrgicas.
A descoberta soluciona um desafio crítico em UTIs: a dificuldade de determinar o nível de pressão arterial adequado para cada cérebro lesionado. Como os mecanismos de ajuste da circulação sanguínea cerebral podem ser comprometidos por doenças agudas ou crônicas, ocorre frequentemente uma dissociação entre a pressão sistêmica e a cerebral. Sem a monitorização precisa, o equilíbrio é delicado, pois pressões de perfusão excessivamente baixas causam isquemia e morte tecidual, enquanto níveis muito altos elevam a pressão intracraniana e aumentam o edema.
Até então, a única forma validada de medir a pressão intracraniana envolvia a inserção cirúrgica de um cateter no cérebro, procedimento que acarreta riscos inerentes e depende de um software de alto custo desenvolvido pela Universidade de Cambridge, disponível em poucos centros globais. Outra alternativa, o Doppler transcraniano, apresenta precisão reduzida em pacientes críticos devido a fatores como febre, anemia e alterações de gás carbônico no sangue, o que impede a substituição do método invasivo.
A nova tecnologia, desenvolvida pela empresa brain4care, utiliza um sensor fixado externamente na cabeça do paciente para captar as pulsações do crânio. Os dados são transmitidos em tempo real para um dispositivo conectado à internet, onde gráficos de onda mostram as variações de pressão e volume intracraniano. Essas informações são processadas por uma plataforma de inteligência artificial que gera relatórios para orientar a conduta clínica.
A validação do método ocorreu por meio de uma análise retrospectiva com 114 pacientes com patologias neurológicas críticas, abrangendo 268 sessões de monitorização simultânea. A amostra incluiu casos de hemorragia subaracnoidea, hematomas intracranianos, AVC isquêmico e, predominantemente, traumatismo cranioencefálico grave, que representou 68% dos pacientes. Os dados foram coletados em instituições do Brasil, Estados Unidos e Portugal.
Atualmente, o sensor externo já é utilizado em hospitais como o Albert Einstein e o Nove de Julho, em São Paulo, o Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, e o Hospital da University of California, San Diego (UCSD). A evidência de que um dispositivo acessível e sem riscos cirúrgicos pode guiar decisões clínicas democratiza o acesso ao cuidado personalizado, antes restrito a poucos centros de excelência.
O próximo passo da pesquisa consiste na realização de ensaios clínicos prospectivos e randomizados para confirmar se a aplicação dessa tecnologia em tempo real, à beira do leito, melhora efetivamente os desfechos clínicos dos pacientes.