Ciência

Sonda japonesa Hayabusa2 captura imagens de asteroide com formato de boneco de neve

07 de Julho de 2026 às 15:03

A sonda japonesa Hayabusa2 sobrevoou o asteroide Torifune no domingo (5), aproximando-se a 10 km de sua superfície. O objeto bilobado, com 450 metros de diâmetro, foi analisado por câmeras ópticas e de infravermelho para estudo de sua morfologia e composição. A JAXA confirmou o funcionamento normal da sonda e a transmissão parcial dos dados coletados

Sonda japonesa Hayabusa2 captura imagens de asteroide com formato de boneco de neve
JAXA

A sonda japonesa Hayabusa2 realizou um sobrevoo bem-sucedido pelo asteroide Torifune no último domingo (5), aproximando-se a cerca de 10 km de sua superfície. A manobra, caracterizada por uma alta velocidade, resultou na captura de imagens em alta resolução que revelam a morfologia do objeto: um corpo bilobado, composto por duas massas unidas por uma região estreita, o que confere ao asteroide a aparência de um boneco de neve.

Com aproximadamente 450 metros de diâmetro, Torifune integra o grupo Apollo, cujas órbitas interceptam a da Terra, embora não haja risco de colisão com o planeta. O objeto leva 383 dias para orbitar o Sol e completa a rotação em torno do próprio eixo a cada cinco horas. Atualmente, o asteroide encontra-se a 100 milhões de quilômetros da Terra.

A estrutura bilobada de Torifune é de particular interesse científico, pois sugere que tais corpos podem ter se originado de colisões lentas entre asteroides menores que, em vez de se fragmentarem, permaneceram unidos. Esse processo oferece pistas sobre a evolução de pequenos corpos no Sistema Solar ao longo de bilhões de anos.

Para a coleta de dados, a Hayabusa2 utilizou a câmera óptica de navegação (ONC-T) e a câmera de infravermelho médio (TIR). Enquanto a primeira registrou a luz visível, a TIR mapeou a emissão de calor da superfície, permitindo a análise da rugosidade, da temperatura e da inércia térmica — a velocidade com que o material aquece e esfria. Esses indicadores são fundamentais para estimar a composição do asteroide e a dimensão dos grãos rochosos em sua superfície. As imagens infravermelhas evidenciaram o contraste térmico entre as áreas expostas ao Sol e as zonas de sombra.

A operação, iniciada com ajustes de trajetória via observações ópticas em meados de junho, contou ainda com o uso de um espectrômetro de infravermelho e um sistema de medição de distância a laser. A Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) informou, nesta segunda-feira (6), que a sonda opera normalmente e que parte dos dados científicos já foi transmitida, restando o envio do material restante em sessões futuras.

Este encontro representa o primeiro objetivo da missão estendida da Hayabusa2. A etapa original da sonda foi encerrada em dezembro de 2020, após a entrega de amostras do asteroide Ryugu na Terra. A análise desse material revelou a presença das cinco nucleobases do DNA e RNA, reforçando a teoria de que asteroides podem ter distribuído compostos orgânicos essenciais para a vida pelo espaço.

O cronograma da missão prevê que o próximo destino seja o asteroide 1998 KY26, que possui apenas 11 metros de diâmetro. A chegada está prevista para 2031, quando a sonda deverá entrar em órbita e realizar um novo pouso científico para investigar a composição de asteroides de dimensões reduzidas.

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