Sonda New Horizons revela que materiais interestelares desaceleram o vento solar ao longe do Sol
Dados da sonda New Horizons indicam que o vento solar perde velocidade ao interagir com átomos interestelares entre 21 e 58 unidades astronômicas. A redução da velocidade do plasma varia de 5% a 15% conforme o fluxo se afasta do Sol. O estudo foi publicado no Astrophysical Journal
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Dados da sonda New Horizons revelam que o vento solar sofre uma desaceleração gradual ao se afastar do Sol, processo causado por um mecanismo de frenagem provocado por materiais vindos do espaço interestelar. O estudo, publicado no *Astrophysical Journal* e liderado pela astrofísica Heather Elliott, do Southwest Research Institute, detalha a interação na região onde a influência solar começa a declinar.
A análise focou na variação de velocidade do vento solar entre 21 e 58 unidades astronômicas, área situada além dos planetas internos e em direção ao Cinturão de Kuiper. O fenômeno ocorre quando partículas solares colidem com átomos neutros interestelares que penetram no sistema solar. Através da troca de carga com os íons do vento solar, esses átomos são ionizados e incorporados ao fluxo, aumentando a massa do plasma e reduzindo a velocidade das partículas que viajam em regime supersônico.
A comparação entre as medições da New Horizons e da Voyager 2 indica que, entre 30 e 43 unidades astronômicas, o vento solar já apresentava uma lentidão entre 5% e 10% em relação ao que é observado na Terra. Em distâncias próximas a 58 unidades astronômicas, essa redução chega a patamares de 13% a 15%, evidenciando que a perda de velocidade se intensifica conforme o fluxo avança pela heliosfera externa.
Essa dinâmica precede o chamado "choque de término", ponto onde as partículas solares perdem a velocidade supersônica e caem para níveis abaixo da velocidade do som no plasma. Enquanto a Voyager 2 registrou uma queda brusca de 46% nessa velocidade ao atingir 84 unidades astronômicas, a New Horizons, atualmente a cerca de 66 unidades astronômicas do Sol, fornece dados que permitem antecipar o comportamento do ambiente antes de alcançar essa fronteira.
A compreensão dessa região complexa, que não se define por uma linha exata, é fundamental para mensurar a entrada de raios cósmicos galácticos no sistema solar. As propriedades da heliosfera determinam a exposição de satélites, naves espaciais e astronautas à radiação, especialmente em missões de exploração profunda que envolvam Marte ou a Lua.
Além disso, a pesquisa oferece subsídios para o estudo de astrosferas, que são bolhas semelhantes à heliosfera em torno de outras estrelas. O mapeamento da interação do Sol com o material interestelar permite refinar modelos de proteção natural contra radiação cósmica e comparar o sistema solar com outros ambientes estelares, expandindo as descobertas iniciadas pelas sondas Voyager.