Ciência

Sonda Solar Orbiter consegue registrar a região polar sul do Sol pela primeira vez

11 de Abril de 2026 às 18:51

A missão Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia e NASA, publicou em 11 de junho os primeiros registros visuais do polo sul solar. A coleta de dados ocorreu a partir de março de 2025, com a sonda operando em uma inclinação de 17 graus. Os resultados apontam mistura de polaridades opostas e deslocamento de material magnético entre 10 e 20 metros por segundo

A sonda Solar Orbiter, missão de US$ 1,5 bilhão liderada pela Agência Espacial Europeia com a participação da NASA, registrou as primeiras imagens diretas do polo sul do Sol, divulgadas em 11 de junho. As observações, iniciadas em março de 2025, foram viabilizadas após a nave inclinar sua órbita a 17 graus abaixo do equador solar, superando a limitação física do plano eclíptico. Até então, a visão humana da estrela restringia-se ao plano equatorial, pois a Terra, os planetas e as sondas orbitam em um disco com inclinação máxima de cerca de 7 graus em relação ao equador solar.

Essa configuração geométrica é resultado da formação do sistema solar a partir de um disco de poeira e gás em rotação. Para romper essa trajetória, são necessárias manobras gravitacionais complexas e alto consumo de energia. Anteriormente, apenas a missão Ulysses, operada entre 1990 e 2009, estudou os polos solares, mas a ausência de câmeras limitou a coleta a dados de campos magnéticos e partículas, mantendo a região visualmente invisível.

Lançada em fevereiro de 2020, a Solar Orbiter utilizou assistências gravitacionais de Vênus para alterar sua rota. Em março de 2025, a sonda atingiu a inclinação de 17 graus — mais que o dobro de missões anteriores com capacidade de imagem — e operou três instrumentos simultaneamente. O PHI mapeou o campo magnético e registrou imagens em luz visível, o EUI capturou a atmosfera solar em ultravioleta e o SPICE mediu a velocidade de materiais em diferentes camadas, permitindo uma análise tridimensional inédita.

As imagens revelaram que o polo sul apresenta polaridades opostas misturadas, em vez de uma polaridade dominante, evidenciando um estado altamente desorganizado. Esse fenômeno ocorre durante o máximo solar, fase do ciclo de aproximadamente 11 anos em que o campo magnético da estrela se inverte, provocando o aumento de erupções, manchas solares e ejeções de massa coronal. Além disso, os dados indicaram que o material magnético se desloca para os polos a velocidades entre 10 e 20 metros por segundo, valor significativamente superior ao previsto por modelos anteriores.

A descoberta impacta a compreensão sobre a formação de ciclos solares futuros, já que os fluxos polares definem a intensidade do próximo ciclo. Como os modelos atuais foram construídos com base em observações restritas ao plano equatorial, a inclusão de dados polares é crítica para aprimorar a capacidade de previsão. Essa precisão é essencial para mitigar riscos a satélites, sistemas de navegação e redes elétricas, evitando eventos como o apagão de Quebec em 1989 e os danos em transformadores na África do Sul em 2003.

A Solar Orbiter também analisa a expansão do vento solar em três dimensões, contribuindo para o estudo da heliosfera e da proteção do sistema solar contra a radiação cósmica. Em setembro de 2024, a sonda já havia registrado a formação de estruturas magnéticas instáveis antes de uma erupção de classe M7.7, indicando caminhos para prever tais eventos com maior antecedência.

A missão continuará utilizando assistências gravitacionais para ampliar a inclinação orbital, com previsão de atingir 24 graus em 2026 e 33 graus em 2029. Atualmente, a análise de possíveis estruturas dinâmicas na região polar pode levar à revisão de conceitos consolidados e de modelos sobre a dinâmica interna da estrela.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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