SpaceX agenda voo inaugural do foguete Starship V3 para maio de 2026 no Texas
A SpaceX lançará o Starship V3 em 19 de maio de 2026, em Boca Chica, Texas. A 12ª missão do sistema transportará 22 satélites Starlink simulados em trajetória suborbital para testar o ejetor e a proteção térmica. O veículo possui mais de 120 metros de altura e empuxo de 74 meganewtons

A SpaceX agendou para o dia 19 de maio de 2026, às 18h30 ET, o voo inaugural do Starship V3. O lançamento ocorrerá em Starbase, localizada em Boca Chica, no sul do Texas, marcando a 12ª missão total do sistema Starship e a estreia de uma versão considerada fundamental para futuras expedições à Lua e a Marte.
O veículo é o foguete mais potente e alto já construído, superando 120 metros de altura e gerando aproximadamente 74 meganewtons de empuxo no momento da decolagem. A versão V3 apresenta aprimoramentos estruturais no Super Heavy, incluindo a atualização dos motores Raptor, novas válvulas criogênicas e um escudo térmico renovado. Uma das mudanças mais expressivas está no Booster 19, que substitui as quatro aletas tradicionais por três grid fins 50% maiores e mais robustas, alteração que visa reduzir a complexidade de fabricação e ampliar a estabilidade durante a reentrada.
Nesta missão, a etapa superior, denominada Ship 39, transportará 22 satélites Starlink simulados em trajetória suborbital. Esses simuladores possuem massa equivalente aos satélites de nova geração, permitindo que a empresa teste o ejetor em condições operacionais. A Ship 39 também introduz a configuração final de portas de carga para o lançamento massivo de satélites, aproximando o foguete do modelo operacional necessário para substituir o Falcon 9. Enquanto o Falcon 9 transporta 22,8 toneladas para a órbita baixa, o Starship possui capacidade para levar mais de 100 toneladas.
Devido aos testes de estabilidade e isolamento térmico, a SpaceX não realizará a captura do primeiro nem do segundo estágio neste voo. O Booster 19 seguirá para uma descida balística sem ser recolhido pelos braços do Mechazilla, enquanto a Ship 39 testará a reentrada controlada com suas placas de escudo térmico aprimoradas. A escolha por voos sucessivos sem captura serve para validar novos algoritmos de pouso e a proteção térmica, com a expectativa de que as capturas plenas retornem a partir do 13º ou 14º voo.
A operação conta com a licença da Federal Aviation Administration (FAA) para a janela de maio. Por se tratar de um voo suborbital, a empresa pode utilizar a janela aprovada sem a necessidade de novas autorizações. O sucesso desta etapa abre caminho para missões de uso dual, abrangendo capacidades civis e militares com volumes de carga inéditos. No âmbito militar, o programa USAF Rocket Cargo, da Space Force, estuda a utilização do Starship para transportes globais entre continentes em até 90 minutos.
A NASA também integra o sistema ao seu cronograma, tendo contratado variantes do Starship para a fase Artemis III. A meta da agência é realizar a primeira tentativa de pouso tripulado na Lua entre 2027 e 2028, tornando cada voo de teste essencial para encurtar o prazo de validação técnica.
No aspecto logístico e financeiro, a SpaceX busca elevar a cadência do Starship para mais de 10 voos por booster, visando reduzir o custo de transporte para menos de US$ 1.000 por quilo, valor significativamente inferior aos US$ 3.000 a US$ 10.000 praticados por concorrentes. Para viabilizar essa frequência, a plataforma de lançamento OLP-2 em Starbase foi finalizada, resultando em duas plataformas operacionais.
Apesar do otimismo, o programa enfrenta críticas devido a atrasos acumulados, já que falhas em testes exigem revisões regulatórias da FAA que podem suspender as atividades por 60 a 120 dias. A estreia da V3 é, portanto, um termômetro da maturidade técnica para a futura certificação de voos tripulados.
Para o cenário brasileiro, a evolução do Starship V3 impacta a expansão da constelação de internet da SpaceX, que já possui mais de 800 mil assinantes ativos no país em maio de 2026, com serviço regularizado pela Anatel. A aceleração desses lançamentos beneficia a banda larga em regiões remotas, sendo crucial para operações de logística, mineração e agronegócio em fronteiras agrícolas e garimpos legalizados.
Por ser um voo de teste, eventuais falhas serão interpretadas como dados de validação técnica e não como prejuízos comerciais, permitindo a perda do foguete sem causar instabilidade financeira ao programa.