Ciência

SpaceX programa 12º voo de teste do Starship com a estreia da versão V3 no Texas

14 de Maio de 2026 às 06:13

A SpaceX realizará o 12º voo de teste do sistema Starship na terça-feira, 19 de maio, no Texas. A missão estreará a versão V3 do foguete, prevendo trajetória suborbital, liberação de 22 simuladores de satélites e pouso no oceano

SpaceX programa 12º voo de teste do Starship com a estreia da versão V3 no Texas
Starship V3 terá teste decisivo da SpaceX com 124 metros, novos motores Raptor 3 e foco em missões lunares.

A SpaceX programou para a próxima terça-feira, 19 de maio, o 12º voo de teste do sistema Starship, que ocorrerá na base de lançamentos na Starbase, no sul do Texas. A janela de decolagem está aberta a partir das 18h30 (horário EDT) e marcará a estreia da versão V3, composta por uma nave e um propulsor Super Heavy redesenhados. Com 124 metros de altura, o veículo é o foguete mais alto e potente já construído.

Este novo estágio de ensaios sucede um histórico de voos com resultados variados, que incluíram desde sucessos, como o 11º voo em outubro, até falhas críticas, como a explosão de uma nave na plataforma antes do 10º teste e a queda de detritos ardentes durante o sétimo e o oitavo voos. O 10º voo, realizado em agosto de 2025, foi considerado bem-sucedido, apesar de danos estruturais.

A missão V3 terá duração aproximada de uma hora e seguirá uma trajetória suborbital. O plano prevê a separação da nave e do propulsor Super Heavy, que deverá realizar uma manobra de retorno e pousar nas águas do Golfo do México. Diferente de outras operações, a SpaceX não tentará a captura do propulsor em terra neste voo, priorizando a segurança operacional devido às alterações significativas no design do veículo.

A nave Starship, após se desprender do propulsor, liberará 22 simuladores de satélites Starlink. Dois desses dispositivos serão utilizados para escanear o escudo térmico da nave, que teve a remoção proposital de uma de suas placas. O objetivo é analisar como a ausência de um componente afeta a carga aerodinâmica nas placas adjacentes durante a reentrada na atmosfera. O encerramento da missão prevê o reacendimento de um motor Raptor no espaço e um pouso controlado no oceano.

As atualizações técnicas da versão V3 abrangem a nave, o propulsor e a infraestrutura de solo. O Super Heavy agora conta com novas aletas de grade na parte inferior para maior estabilidade no retorno e um tubo de transferência de combustível redesenhado, permitindo que os 33 motores Raptor 3 — que oferecem maior empuxo que as versões anteriores — sejam acionados simultaneamente. A nave, por sua vez, recebeu melhorias no sistema de propulsão, incluindo um novo método de arranque, tanques de combustível com maior volume e aprimoramento no controle de reação. Na plataforma de lançamento, foram instaladas mais bombas e ampliada a capacidade de armazenamento de propelente para agilizar o abastecimento.

Essas modificações visam viabilizar a reutilização rápida do sistema, a transferência de combustível no espaço, a implantação de data centers orbitais e o transporte de cargas e tripulações. O desenvolvimento da Starship é fundamental para a NASA, que depende de parceiros comerciais para a missão Artemis IV, visando levar humanos à Lua em 2028.

A SpaceX concorre com a Blue Origin, desenvolvedora do módulo Blue Moon, para fornecer o pousador lunar que transportará astronautas da cápsula Orion até a superfície lunar e vice-versa. A definição do fornecedor dependerá da prontidão do módulo lunar e de testes de atracação previstos para o próximo ano em órbita baixa da Terra. Paralelamente, o programa Artemis da NASA lida com desafios orçamentários, atrasos no cronograma e a necessidade de finalizar os trajes espaciais para o pouso.

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