Startup do MIT utiliza ondas milimétricas para perfurar 100 metros de rocha no Texas
A startup Quaise Energy perfurou 118 metros de rocha no Texas em julho de 2025 utilizando ondas milimétricas. O método, baseado em girotrons, atingiu a velocidade de 5 metros por hora em granito. A companhia planeja implantar uma usina piloto de 20 megawatts no Oregon em 2028
A Quaise Energy, startup originária de pesquisas do MIT, atingiu a marca de 100 metros de perfuração em rocha no centro do Texas em 22 de julho de 2025. O feito utilizou a tecnologia de ondas milimétricas, que substitui as brocas mecânicas no fundo do poço por energia eletromagnética de alta potência, transferindo um método anteriormente restrito a laboratórios para a aplicação em campo.
O sistema opera por meio de girotrons, equipamentos desenvolvidos originalmente para aquecer plasma em reatores de fusão nuclear. Esses dispositivos geram ondas capazes de fundir e vaporizar rochas duras, como basalto e granito, sem a necessidade de contato físico no ponto de perfuração. Em análise publicada em 3 de novembro de 2025, o MIT Energy Initiative detalhou que a perfuração em campo chegou a 118 metros em julho e demonstrou a capacidade de avançar no granito a uma taxa de até 5 metros por hora.
Essa abordagem soluciona gargalos da indústria energética, especialmente o desgaste extremo de brocas convencionais e o aumento de custos em perfurações profundas. A meta da empresa é alcançar profundidades entre 10 e 20 quilômetros, onde a temperatura da crosta terrestre atinge entre 400 °C e 500 °C em quase qualquer ponto do globo. Esse calor é suficiente para produzir vapor de alta pressão e convertê-lo em eletricidade de forma constante.
A tecnologia altera a lógica da geotermia tradicional, que hoje depende de condições geológicas específicas, como reservatórios hidrotermais ou atividade vulcânica, concentrando a produção em países como Quênia, Islândia e regiões dos Estados Unidos. Ao focar no calor da rocha e não na presença de água quente, a proposta permite que qualquer nação explore a energia geotérmica profunda. O Brasil, por exemplo, embora possua baixa atividade geotérmica convencional, detém calor interno em profundidades maiores que poderiam ser acessadas por esse método.
Para testar a viabilidade econômica e operacional em escala comercial, a Quaise Energy planeja construir uma usina piloto de 20 megawatts no estado do Oregon, com previsão para 2028. O projeto prevê a integração do sistema a usinas já existentes para acelerar a implementação através da infraestrutura energética atual.
A estabilidade da geotermia, que opera independentemente de variações climáticas, oferece uma vantagem estratégica sobre fontes renováveis como a solar e a eólica. A possibilidade de gerar energia limpa e contínua apresenta uma alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e diminuir a emissão de gases de efeito estufa.
Apesar do avanço, a viabilidade comercial depende da superação de desafios como os custos elevados e a necessidade de sistemas robustos de segurança e controle térmico para perfurações profundas. Além da geração de energia, a capacidade de perfurar sem contato físico pode ser aplicada em armazenamento geotérmico, captura de carbono e pesquisas científicas, redefinindo os limites da engenharia subterrânea.