Ciência

Submarino autônomo revela estruturas geológicas desconhecidas sob a plataforma de gelo Dotson na Antártida

14 de Junho de 2026 às 18:02

O submarino autônomo Ran mapeou estruturas geológicas sob a plataforma Dotson, na Antártida Ocidental, revelando que águas profundas circumpolares aceleram o derretimento da região ocidental. Os dados, publicados na revista Science, contestam modelos científicos anteriores sobre a dinâmica de degelo glacial. O veículo desapareceu em 2024 após realizar 14 missões em 2022

Submarino autônomo revela estruturas geológicas desconhecidas sob a plataforma de gelo Dotson na Antártida
Filip Stedt

A exploração da plataforma Dotson, na Antártida Ocidental, revelou estruturas geológicas desconhecidas sob o oceano, desafiando os modelos científicos atuais sobre o derretimento de glaciares. As descobertas foram possíveis graças ao veículo submarino autônomo "Ran", de seis metros de comprimento, operado por uma equipe internacional do International Thwaites Glacier Collaboration (ITGC).

Lançado em 2022, o submarino navegou por mais de 16 quilômetros na cavidade entre o leito marinho e o gelo, mapeando cerca de 130 quilômetros quadrados de uma área nunca antes vista por seres humanos. Equipadas com sonar avançado, as missões produziram mapas de alta resolução que expuseram padrões de erosão intrincados, planícies de gelo e formas de lágrima. Para Anna Wåhlin, professora de física oceanográfica na Universidade de Gotemburgo e autora principal do estudo, a complexidade dessas estruturas indica que as suposições anteriores sobre a dinâmica de derretimento da base dos glaciares estão incorretas.

O objetivo central da pesquisa era compreender a disparidade no derretimento entre as extremidades da plataforma Dotson, especificamente por que a parte oriental é mais espessa e derrete mais lentamente que a ocidental. Os dados, publicados na revista *Science*, apontam que a causa reside na influência das águas profundas circumpolares — uma mistura de águas dos oceanos Índico e Pacífico. Esse fluxo de água, mais quente e turbulento, erosiona a base da plataforma ocidental com maior intensidade, enquanto a região oriental permanece menos exposta.

A operação do "Ran" enfrentou desafios extremos, já que a ausência de GPS e a impossibilidade de comunicação em tempo real exigiam navegações complexas, com missões que variavam de algumas horas a um dia. Após completar 14 missões em 2022, o veículo desapareceu no início de 2024, durante sua primeira incursão após dois anos. O submarino não atingiu o ponto de encontro programado e nenhum destroço foi localizado. As hipóteses para a perda do equipamento incluem falhas mecânicas, encalhe ou ataques biológicos.

Apesar da perda do veículo, os dados coletados são considerados fundamentais para a compreensão do futuro da camada de gelo da Antártida. A equipe do ITGC agora busca a substituição do "Ran" para dar continuidade ao mapeamento e à análise da mecânica de derretimento da região.

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