Ciência

Surgimento de cidades impulsionou a expansão de pulgas adaptadas aos seres humanos, indica estudo

09 de Julho de 2026 às 12:10

Pesquisadores da Virginia Tech identificaram que a transição humana para a vida sedentária, há cerca de 13 mil anos, impulsionou a expansão de linhagens de pulgas adaptadas a pessoas. O estudo, publicado na Biology Letters, indica que esses parasitas se tornaram pragas urbanas precoces devido à organização social e ao surgimento de cidades

Surgimento de cidades impulsionou a expansão de pulgas adaptadas aos seres humanos, indica estudo
Warren Booth

A análise do genoma de pulgas revelou que a transição da humanidade para a vida sedentária e a criação das primeiras cidades impulsionaram a expansão de linhagens desses insetos adaptadas aos seres humanos. O estudo, publicado na revista *Biology Letters* e conduzido por pesquisadores da Virginia Tech, indica que a organização social humana transformou esses parasitas em algumas das primeiras pragas urbanas da história.

A investigação comparou o DNA completo de duas linhagens da espécie *Cimex lectularius*: uma vinculada a morcegos e outra especializada em humanos. Para isso, a equipe analisou 19 exemplares coletados na República Tcheca, sendo dez da linhagem de morcegos e nove da linhagem humana. Através do mapeamento de mutações genéticas, os cientistas modelaram o tamanho efetivo das populações, identificando a quantidade de indivíduos reprodutores que transmitiram seus genes às gerações seguintes.

Embora as pulgas tenham evoluído há mais de 100 milhões de anos, a separação entre as linhagens que parasitam morcegos e as que parasitam humanos ocorreu há aproximadamente 245 mil anos. Durante o último máximo glacial, cerca de 20 mil anos atrás, ambas as populações enfrentaram um declínio. Contudo, enquanto a linhagem associada aos morcegos continuou a diminuir, a população ligada aos humanos iniciou um processo de recuperação.

Esse crescimento coincide com a mudança no comportamento humano entre 12 mil e 13 mil anos atrás, quando grupos nômades passaram a formar comunidades estáveis. A concentração de pessoas em abrigos e o aumento do contato social facilitaram a dispersão e a sobrevivência dos parasitas. Esse fenômeno se intensificou com o surgimento de grandes assentamentos, como os da Mesopotâmia, permitindo que as pulgas se espalhassem globalmente conforme a civilização avançava.

O estudo diferencia a trajetória das pulgas de outras pragas urbanas, como a rata preta e a barata alemã, cuja presença em ambientes construídos por humanos seria mais recente, datando dos últimos 5 mil anos. Embora existam discussões sobre a amostragem limitada a um único país e a existência de outros parasitas mais antigos, como os piolhos de cabeça, a hipótese de que as pulgas foram as primeiras pragas documentadas em estruturas humanas é considerada sólida por entomologistas da área.

A compreensão desse processo evolutivo também oferece subsídios para lidar com a resistência a inseticidas. A pesquisa observa que, após a introdução do DDT, as populações de pulgas diminuíram drasticamente, mas reapareceram em cinco anos com resistência ao pesticida. O mapeamento de como esses insetos evoluíram ao lado da sociedade humana é fundamental para a elaboração de estratégias de controle mais eficazes.

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