Técnica de alinhamento coital aumenta em 56% a frequência de orgasmos femininos em casais heterossexuais
A técnica de alinhamento coital (CAT) visa aumentar a frequência de orgasmos femininos ao priorizar a fricção no clitóris. Estudos indicam que a metodologia elevou em 56% esse índice em mulheres que não atingiam o ápice na posição convencional
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A ciência do sexo busca solucionar há décadas a chamada "diferença de orgasmo", um fenômeno que impacta majoritariamente casais heterossexuais. Dados de um estudo de 2017, publicado no periódico Archives of Sexual Behavior, revelam que, enquanto 95% dos homens heterossexuais atingem o orgasmo regularmente, esse índice cai para 65% entre as mulheres heterossexuais. Em contrapartida, entre mulheres lésbicas, a frequência de orgasmos sobe para 86%.
Um dos fatores que contribuem para essa disparidade é a posição clássica conhecida como "papai e mamãe". De acordo com estudos citados por Michael Castleman na revista Psychology Today, apenas 25% das mulheres alcançam o orgasmo consistentemente nessa posição, independentemente da duração da relação ou do tamanho do pênis. A causa é anatômica: a penetração convencional raramente promove a fricção direta no clitóris, órgão central para o prazer feminino.
A Técnica de Alinhamento Coital (CAT)
Para mitigar essa limitação, pesquisadores e terapeutas propõem a técnica de alinhamento coital, ou CAT (coital alignment technique). Introduzida em 1988 pelo psicoterapeuta americano Edward Eichel, a metodologia foca na alteração da mecânica do movimento para priorizar a estimulação clitoriana.
A prática consiste em um ajuste simples de posicionamento: a pessoa que está por cima desloca o corpo alguns centímetros à frente, alinhando o peito à altura dos ombros da parceria. Esse movimento permite que a base do pênis roce no clitóris. Em vez de focar na profundidade da penetração, a técnica prioriza a manutenção do contato entre as pélvis através de movimentos curtos, contínuos e circulares, onde a fricção é o elemento principal.
A eficácia da CAT é evidenciada por estudos com mulheres que não atingiam o orgasmo na posição convencional:
* Aumento de 56% na frequência de orgasmos após aprenderem a técnica CAT.
* Aumento de 27% no grupo que realizou apenas exercícios de masturbação guiada.
Adaptações e Variações
O terapeuta sexual Ian Kerner ressalta que a pressão constante no clitóris é mais importante do que a profundidade da penetração. Para otimizar esse ângulo, a revista Sexologies mencionou um estudo — embora limitado a apenas um casal heterossexual e focado no fluxo sanguíneo, não no orgasmo — que indicou que o uso de uma almofada sob os quadris da pessoa que está por baixo aumenta a excitação clitoriana.
A técnica é versátil e não depende exclusivamente de um pênis, podendo ser adaptada:
* Uso de arnês;
* Prática entre pessoas com vulva, utilizando a coxa entre as pernas da parceria para gerar fricção no osso púbico, conforme sugere a sexóloga Gigi Engle.
Outros ajustes recomendados incluem apertar as coxas para elevar a pressão, envolver as pernas na cintura da parceria para sincronizar movimentos ou utilizar anéis vibratórios.
Individualidade e Comunicação
Apesar dos benefícios, a técnica CAT não é universal. A terapeuta Georgina Vass pontua que a eficácia varia conforme a anatomia de cada indivíduo e pode não funcionar para todas as pessoas. Nesses casos, a recomendação é retornar à posição clássica e integrar a estimulação clitoriana manual.
Especialistas reforçam que a comunicação aberta sobre o que gera prazer e a observação dos sinais do corpo são ferramentas mais eficientes do que a tentativa de adivinhar as necessidades da parceria.