Técnica de baixo custo utiliza calor industrial para ampliar a produção de hidrogênio verde
Pesquisadores das universidades de Pequim e Birmingham criaram técnica com catalisador de perovskita para produzir hidrogênio verde usando calor residual industrial. O método reduz em 500 graus Celsius a temperatura necessária para a divisão das moléculas de água. O projeto avança agora para testes em plantas piloto industriais

Pesquisadores das universidades de Pequim e Birmingham desenvolveram uma técnica de baixo custo que amplia a produção de hidrogênio verde em larga escala ao reaproveitar o calor residual de complexos industriais. O estudo, publicado pelo Science Direct em 22 de maio, revela a possibilidade de reduzir em cerca de 500 graus Celsius a temperatura necessária para a divisão das moléculas de água, superando a principal barreira econômica da produção tradicional, que exige calor extremo e alto consumo de energia externa.
O avanço técnico central baseia-se no uso de um catalisador de perovskita. Esse material cristalino permite a absorção e liberação repetida de oxigênio sem perder a estabilidade operacional, o que acelera a quebra molecular da água em temperaturas menores, aumenta a vida útil do sistema e eleva a eficiência energética da planta.
A aplicação prática do método permite que indústrias de aço, cimento, vidro e produtos químicos transformem a energia térmica, que normalmente seria descartada na atmosfera, em combustível limpo. Esse modelo cria um ciclo de produção integrado, onde o hidrogênio é gerado próximo ao local de consumo, reduzindo custos logísticos e operacionais. Além disso, a tecnologia dispensa a dependência da eletrólise convencional e não requer sistemas complexos de captura e armazenamento de carbono, comuns na produção de hidrogênio azul.
A descoberta é estratégica para a descarbonização de setores difíceis de eletrificar, como o transporte de navios, caminhões pesados e usinas industriais. A relevância da solução alinha-se às projeções da Agência Internacional de Energia, que estima que o consumo global de hidrogênio possa ultrapassar 500 milhões de toneladas até 2050, caso as metas climáticas sejam cumpridas.
O projeto, que conta com a participação do professor Yulong Ding, da Universidade de Birmingham, agora caminha para a fase de transição dos testes laboratoriais para plantas piloto industriais. Essa etapa é fundamental para validar a viabilidade comercial do sistema em escala real, permitindo que setores altamente poluentes modernizem suas cadeias produtivas e reduzam a dependência de combustíveis fósseis.