Ciência

Técnica de laser dispensa adesivos sintéticos na fixação de embalagens de papel

11 de Abril de 2026 às 19:00

Cientistas da Sociedade Fraunhofer criaram um sistema de laser de monóxido de carbono para selar embalagens de papel sem o uso de adesivos. A tecnologia, testada em planta piloto em Dresden, funde polímeros do próprio material através de calor e pressão. A meta é atingir a produção de dez unidades por minuto até setembro de 2026

Pesquisadores na Alemanha desenvolveram uma técnica que utiliza laser para unir embalagens de papel, eliminando a necessidade de colas e adesivos sintéticos. A inovação, parte do projeto PAPURE conduzido por institutos da Sociedade Fraunhofer, transforma a própria composição do material em agente de união, visando solucionar a contaminação de fibras durante a reciclagem, já que adesivos externos frequentemente dificultam o reaproveitamento do papel ou levam ao descarte.

A equipe analisou cerca de trinta tipos de papel, utilizando imagens de alta resolução e técnicas químicas para estudar a interação entre polímeros naturais — como celulose, hemicelulose e lignina — e cargas inorgânicas, a exemplo do carbonato de cálcio e do talco. Robert Protz, cientista do Fraunhofer, observou que papéis mais espessos e com equilíbrio de componentes naturais são mais eficientes para a selagem, enquanto o excesso de substâncias inorgânicas prejudica a resistência das juntas.

Para viabilizar a união, foi utilizado um laser de monóxido de carbono (CO). O feixe altera a química da superfície, quebrando os polímeros em moléculas menores denominadas produtos de clivagem fusíveis. Quando duas camadas tratadas são submetidas a calor e pressão, essas moléculas derretem e fundem as superfícies, fazendo com que o elemento de vedação seja extraído do próprio papel em vez de ser um insumo aplicado.

Após testes de tração e alongamento que superaram as expectativas iniciais de resistência mecânica, a tecnologia avançou para uma unidade piloto em Dresden. A instalação simula a produção industrial: rolos de papel passam por um módulo a laser, recebem uma segunda camada, são selados por calor e pressão e, por fim, cortados para formar sacos. O sistema conta com sensores de monitoramento em tempo real que ajustam o processo automaticamente para manter a qualidade da vedação.

A implementação em larga escala ainda depende da superação de custos e da falta de padronização na composição do papel industrial. O objetivo atual dos pesquisadores é reduzir o tamanho dos equipamentos e atingir uma cadência de produção de dez embalagens por minuto até setembro de 2026, facilitando a integração do sistema às fábricas.

Notícias Relacionadas