Técnica de laser dispensa adesivos sintéticos na fixação de embalagens de papel
Cientistas da Sociedade Fraunhofer criaram um sistema de laser de monóxido de carbono para selar embalagens de papel sem o uso de adesivos. A tecnologia, testada em planta piloto em Dresden, funde polímeros do próprio material através de calor e pressão. A meta é atingir a produção de dez unidades por minuto até setembro de 2026
Pesquisadores na Alemanha desenvolveram uma técnica que utiliza laser para unir embalagens de papel, eliminando a necessidade de colas e adesivos sintéticos. A inovação, parte do projeto PAPURE conduzido por institutos da Sociedade Fraunhofer, transforma a própria composição do material em agente de união, visando solucionar a contaminação de fibras durante a reciclagem, já que adesivos externos frequentemente dificultam o reaproveitamento do papel ou levam ao descarte.
A equipe analisou cerca de trinta tipos de papel, utilizando imagens de alta resolução e técnicas químicas para estudar a interação entre polímeros naturais — como celulose, hemicelulose e lignina — e cargas inorgânicas, a exemplo do carbonato de cálcio e do talco. Robert Protz, cientista do Fraunhofer, observou que papéis mais espessos e com equilíbrio de componentes naturais são mais eficientes para a selagem, enquanto o excesso de substâncias inorgânicas prejudica a resistência das juntas.
Para viabilizar a união, foi utilizado um laser de monóxido de carbono (CO). O feixe altera a química da superfície, quebrando os polímeros em moléculas menores denominadas produtos de clivagem fusíveis. Quando duas camadas tratadas são submetidas a calor e pressão, essas moléculas derretem e fundem as superfícies, fazendo com que o elemento de vedação seja extraído do próprio papel em vez de ser um insumo aplicado.
Após testes de tração e alongamento que superaram as expectativas iniciais de resistência mecânica, a tecnologia avançou para uma unidade piloto em Dresden. A instalação simula a produção industrial: rolos de papel passam por um módulo a laser, recebem uma segunda camada, são selados por calor e pressão e, por fim, cortados para formar sacos. O sistema conta com sensores de monitoramento em tempo real que ajustam o processo automaticamente para manter a qualidade da vedação.
A implementação em larga escala ainda depende da superação de custos e da falta de padronização na composição do papel industrial. O objetivo atual dos pesquisadores é reduzir o tamanho dos equipamentos e atingir uma cadência de produção de dez embalagens por minuto até setembro de 2026, facilitando a integração do sistema às fábricas.