Ciência

Tecnologia com grafeno e plástico reciclado pode aumentar a vida útil do asfalto em 165%

23 de Maio de 2026 às 18:07

A empresa italiana Iterchimica desenvolveu o Gipave, aditivo de grafeno, polímeros e plásticos que aumenta a vida útil do asfalto em 165% e reduz emissões de carbono em 40%. A tecnologia, testada no Reino Unido e na Itália, custa entre 10% e 15% a mais que materiais tradicionais

Tecnologia com grafeno e plástico reciclado pode aumentar a vida útil do asfalto em 165%
Asfalto com grafeno testado no Reino Unido e na Itália promete durar mais, reduzir rachaduras e cortar emissões na manutenção viária.

A tecnologia Gipave, desenvolvida pela empresa italiana Iterchimica, propõe a modernização do pavimento asfáltico por meio de um aditivo composto por grafeno, polímeros e resíduos plásticos de difícil reciclagem. A inovação atua como um reforço ao ligante betuminoso que envolve os agregados minerais, aumentando a resistência da superfície sem alterar a aparência das pistas ou exigir mudanças nos métodos atuais de recapeamento.

O objetivo central do material é ampliar a durabilidade das vias e reduzir as emissões de carbono associadas à manutenção. Testes iniciais conduzidos pela Holcim UK indicam que a vida útil do pavimento pode ser elevada em 165% em comparação aos métodos convencionais. Além disso, estima-se uma economia de 40% nas emissões de carbono em um período de 20 anos, resultado da menor necessidade de intervenções e do impacto reduzido ao longo do ciclo de vida da via.

No Reino Unido, a aplicação do Gipave tem seguido um cronograma de testes em condições reais de tráfego para validar a resistência contra deformações, fissuras e o desgaste causado por veículos pesados. O processo começou em 2019, em Curbridge, seguido por um ensaio em 2022 na Marsh Lane, em Oxford. Mais recentemente, em North Street, na vila de Middle Barton (Oxfordshire), um trecho de 725 metros foi dividido: parte recebeu o asfalto reforçado e a outra seção foi pavimentada com asfalto convencional de alto desempenho, permitindo a comparação direta do comportamento do material sob variáveis como frenagens, acelerações e oscilações térmicas.

Em 2024, a tecnologia avançou para a rede estratégica nacional com um teste da National Highways na rodovia A12, entre Hatfield Peverel e Witham. Esta aplicação contou com 40% de asfalto recuperado, marca destacada pela AtkinsRéalis como a maior proporção de material reciclado já utilizada no país em misturas com modificador polimérico reforçado por grafeno.

A solução também possui histórico de uso na Itália, onde foi aplicada em estruturas de alta circulação, como a ponte San Giorgio, em Gênova, e em áreas aeroportuárias. Na autoestrada A4, entre Brescia e Padova, um segmento de 5,5 quilômetros foi pavimentado com o material para monitorar a durabilidade em rotas de tráfego intenso.

Do ponto de vista ambiental, o Gipave promove a economia circular ao incorporar plásticos que teriam baixo aproveitamento em cadeias de reciclagem comuns e ao permitir que o próprio asfalto final seja reciclado.

Apesar do desempenho técnico superior, a adoção em larga escala depende de análises financeiras e operacionais. O custo de instalação do Gipave é estimado entre 10% e 15% superior ao dos materiais tradicionais. Para governos e gestores, a viabilidade econômica reside na redução de custos a longo prazo, considerando a menor frequência de reparos, a diminuição do consumo de insumos e a redução de impactos no trânsito causados por obras constantes.

Ainda que o grafeno potencialize a resistência mecânica, a vida útil da estrada continua dependente de fatores externos, como a qualidade da base, a eficiência da drenagem e o excesso de carga por eixo. Por isso, as autoridades rodoviárias mantêm o monitoramento prolongado para transformar os resultados experimentais em uma solução técnica e financeiramente justificável para a infraestrutura pública.

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