Ciência

Tecnologia de dessalinização solar leva água potável a mais de 200 famílias no Nordeste

20 de Maio de 2026 às 15:29

Tecnologia de dessalinização solar desenvolvida por Wanderley Silva atende mais de 200 famílias na Paraíba, Ceará e Pernambuco. O sistema converte água salobra em potável com custo entre R$ 3 mil e R$ 5 mil por unidade. Foram instaladas 155 unidades em diversos municípios paraibanos e comunidades quilombolas

Tecnologia de dessalinização solar leva água potável a mais de 200 famílias no Nordeste
Imagem: Ilustração artística

Uma tecnologia de dessalinização solar já beneficia mais de 200 famílias na Paraíba e em outras regiões do Nordeste, convertendo água salobra em potável por meio da energia solar. O sistema, desenvolvido por Wanderley Silva, doutorando na Universidade Estadual da Paraíba, utiliza o calor do sol para aquecer a água, promovendo a evaporação e posterior condensação em uma superfície de vidro, o que remove o sal e as impurezas do líquido.

O equipamento foi aprimorado com o uso de vidro, lona e cimento para evitar a corrosão causada pelo sal, problema identificado em versões anteriores. A inclusão da lona no projeto ocorreu após a sugestão de um agricultor local, adaptando a estrutura às condições do semiárido. Em termos de custo, a unidade do dessalinizador varia entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, valor significativamente inferior ao de sistemas de osmose reversa, que podem custar R$ 50 mil.

A implementação começou em comunidades rurais de Queimadas, na região de Campina Grande, onde a escassez hídrica obrigava moradores a caminhar longas distâncias até açudes e cacimbas. Relatos de residentes, como Severina Marinho e o agricultor Severino de Sousa, indicam que a busca por água imprópria podia levar horas, com deslocamentos iniciados às 5h da manhã ou viagens de até 4 horas, impactando a rotina de estudos e o trabalho no campo.

A expansão do projeto na Paraíba abrangeu municípios como Remígio, São Vicente do Seridó, Cubatí, Pedra Lavrada, Caraúbas, Monteiro, Camalaú, Santa Luzia, Soledade, Cuité, Campina Grande e Caturité. Foram instaladas 35 unidades com recursos do Instituto Federal da Paraíba, além de 70 em Caraúbas e 50 em sítios de Santa Luzia, viabilizadas por editais bancários. A iniciativa também alcançou o Ceará e Pernambuco, incluindo a capacitação de moradores de uma comunidade quilombola em Capoeiras, com apoio da extensionista Célia Holanda, do Instituto Agronômico de Pernambuco.

A solução surge em um contexto crítico. A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico projeta que 2026 será um dos anos mais difíceis para a gestão hídrica no Brasil. Na Paraíba, a baixa pluviosidade no início do ano forçou o racionamento em 41 municípios. Dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba revelam que, dos 132 açudes monitorados, cerca de 100 operavam com menos de 50% de sua capacidade, sendo que nove estavam completamente secos e 39 possuíam menos de 10% do volume total.

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