Tecnologia LiDAR monitora movimentação de areia na orla de Itapoá para orientar alargamento de praia
A orla de Itapoá, em Santa Catarina, passa por monitoramento de sedimentos com a tecnologia LiDAR através de parceria entre o Serviço Geológico do Brasil, UFPR e a prefeitura. O levantamento técnico ocorre paralelamente a uma obra de alargamento de praia de R$ 336 milhões, que prevê a deposição de 6,4 milhões de metros cúbicos de areia

A orla de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, é alvo de um monitoramento de alta precisão que utiliza a tecnologia LiDAR (detecção de luz e alcance) para mapear a movimentação de sedimentos na faixa de areia. O sistema, acoplado a aeronaves que percorrem a região do Pontal até a Barra do Saí, emite pulsos de laser para criar modelos tridimensionais detalhados da superfície, permitindo mensurar centenas de centímetros de ganho ou perda de areia conforme as mudanças sazonais.
A iniciativa integra o programa nacional Dinâmica Costeira, fruto de um acordo firmado em abril entre o Serviço Geológico do Brasil, a Universidade Federal do Paraná e a prefeitura local. Itapoá é o quarto município brasileiro a participar do projeto, sendo o primeiro estado catarinense a receber a tecnologia, que já apresentou resultados em São Vicente (SP) e mantém estudos em Maricá (RJ) e Guaratuba (PR).
O levantamento técnico ocorre simultaneamente ao maior projeto de alargamento de praia do Brasil. Com investimento de R$ 336 milhões, a obra prevê a deposição de 6,4 milhões de metros cúbicos de areia — volume três vezes superior ao utilizado em Balneário Camboriú. No início de 2026, a intervenção já havia expandido 5 quilômetros da orla, com 3,4 milhões de metros cúbicos depositados, atingindo 58,5% de conclusão. A areia é proveniente da dragagem do canal de acesso aos portos de Itapoá e São Francisco do Sul, operação realizada por uma draga de 166,5 metros em regime de 24 horas.
A aplicação do LiDAR visa solucionar a incerteza sobre a permanência do material depositado, já que a cidade sofre com a erosão costeira há décadas. A vulnerabilidade foi intensificada pela ocupação urbana próxima à orla, resultando em ressacas que destruíram avenidas, calçadas e áreas de lazer. O sensor óptico identifica com exatidão as zonas de acreção, onde há acúmulo de sedimentos, e as áreas de erosão, onde a areia é removida pelo mar.
Além dos sobrevoos, a metodologia inclui análises laboratoriais de granulometria e a coleta de sedimentos em diversos pontos da costa. Desde o início dos trabalhos, em novembro de 2025, duas etapas de levantamento foram finalizadas. O cronograma prevê dois anos de monitoramento sazonal para gerar um balanço volumétrico, um mapa de vulnerabilidade e a análise da linha de costa sob diferentes condições climáticas.
Para Marcelo Jorge, coordenador do projeto no Serviço Geológico do Brasil, o aprofundamento técnico é fundamental para otimizar o uso de recursos públicos e mitigar os efeitos de eventos extremos. As informações servirão para orientar as próximas fases do alargamento, como a prevista para a zona norte, entre o Balneário Cambijú e o bairro Continental, além de subsidiar políticas de ocupação urbana.
O projeto também atua na formação acadêmica, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação da UFPR. De acordo com Lucas Henderson, da Secretaria de Meio Ambiente de Itapoá, a meta é tornar o município uma referência em monitoramento costeiro, criando uma base metodológica que possa ser replicada em outras cidades litorâneas que enfrentam a fragilidade natural causada por marés, ventos, ondas e a elevação do nível do mar.