Ciência

Tecnologia LiDAR monitora movimentação de areia na orla de Itapoá para orientar alargamento de praia

20 de Maio de 2026 às 15:29

A orla de Itapoá, em Santa Catarina, passa por monitoramento de sedimentos com a tecnologia LiDAR através de parceria entre o Serviço Geológico do Brasil, UFPR e a prefeitura. O levantamento técnico ocorre paralelamente a uma obra de alargamento de praia de R$ 336 milhões, que prevê a deposição de 6,4 milhões de metros cúbicos de areia

Tecnologia LiDAR monitora movimentação de areia na orla de Itapoá para orientar alargamento de praia
Praia de Itapoá usa tecnologia LiDAR para mapear erosão costeira. Cidade executa o maior alargamento de faixa de areia do Brasil. imagem: IA/ ilustrativa

A orla de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, é alvo de um monitoramento de alta precisão que utiliza a tecnologia LiDAR (detecção de luz e alcance) para mapear a movimentação de sedimentos na faixa de areia. O sistema, acoplado a aeronaves que percorrem a região do Pontal até a Barra do Saí, emite pulsos de laser para criar modelos tridimensionais detalhados da superfície, permitindo mensurar centenas de centímetros de ganho ou perda de areia conforme as mudanças sazonais.

A iniciativa integra o programa nacional Dinâmica Costeira, fruto de um acordo firmado em abril entre o Serviço Geológico do Brasil, a Universidade Federal do Paraná e a prefeitura local. Itapoá é o quarto município brasileiro a participar do projeto, sendo o primeiro estado catarinense a receber a tecnologia, que já apresentou resultados em São Vicente (SP) e mantém estudos em Maricá (RJ) e Guaratuba (PR).

O levantamento técnico ocorre simultaneamente ao maior projeto de alargamento de praia do Brasil. Com investimento de R$ 336 milhões, a obra prevê a deposição de 6,4 milhões de metros cúbicos de areia — volume três vezes superior ao utilizado em Balneário Camboriú. No início de 2026, a intervenção já havia expandido 5 quilômetros da orla, com 3,4 milhões de metros cúbicos depositados, atingindo 58,5% de conclusão. A areia é proveniente da dragagem do canal de acesso aos portos de Itapoá e São Francisco do Sul, operação realizada por uma draga de 166,5 metros em regime de 24 horas.

A aplicação do LiDAR visa solucionar a incerteza sobre a permanência do material depositado, já que a cidade sofre com a erosão costeira há décadas. A vulnerabilidade foi intensificada pela ocupação urbana próxima à orla, resultando em ressacas que destruíram avenidas, calçadas e áreas de lazer. O sensor óptico identifica com exatidão as zonas de acreção, onde há acúmulo de sedimentos, e as áreas de erosão, onde a areia é removida pelo mar.

Além dos sobrevoos, a metodologia inclui análises laboratoriais de granulometria e a coleta de sedimentos em diversos pontos da costa. Desde o início dos trabalhos, em novembro de 2025, duas etapas de levantamento foram finalizadas. O cronograma prevê dois anos de monitoramento sazonal para gerar um balanço volumétrico, um mapa de vulnerabilidade e a análise da linha de costa sob diferentes condições climáticas.

Para Marcelo Jorge, coordenador do projeto no Serviço Geológico do Brasil, o aprofundamento técnico é fundamental para otimizar o uso de recursos públicos e mitigar os efeitos de eventos extremos. As informações servirão para orientar as próximas fases do alargamento, como a prevista para a zona norte, entre o Balneário Cambijú e o bairro Continental, além de subsidiar políticas de ocupação urbana.

O projeto também atua na formação acadêmica, envolvendo estudantes de graduação e pós-graduação da UFPR. De acordo com Lucas Henderson, da Secretaria de Meio Ambiente de Itapoá, a meta é tornar o município uma referência em monitoramento costeiro, criando uma base metodológica que possa ser replicada em outras cidades litorâneas que enfrentam a fragilidade natural causada por marés, ventos, ondas e a elevação do nível do mar.

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