Ciência

Telescópio Euclid identifica 26 milhões de galáxias em apenas uma semana de observações do cosmos

23 de Maio de 2026 às 06:12

O telescópio espacial Euclid identificou 26 milhões de galáxias em uma semana de observações de 63 graus quadrados do céu. Os dados, divulgados em 19 de março de 2025, registram objetos a até 10,5 bilhões de anos-luz para investigar a matéria e a energia escura

Telescópio Euclid identifica 26 milhões de galáxias em apenas uma semana de observações do cosmos
Euclid revela 26 milhões de galáxias e inicia mapa 3D para investigar matéria escura, energia escura e expansão do Universo com novos dados. (Imagem: Ilustrativa)

O telescópio espacial Euclid, missão liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA) com apoio da Nasa, iniciou o mapeamento do "Universo escuro" com a identificação de 26 milhões de galáxias. O volume de dados, divulgado em 19 de março de 2025, resultou de apenas uma semana de observações em três regiões profundas do céu, cobrindo uma área de 63 graus quadrados — extensão superior a 300 luas cheias.

O objetivo central do projeto é investigar a matéria escura, que exerce influência gravitacional sem emitir ou refletir luz, e a energia escura, termo utilizado para descrever a causa da expansão acelerada do cosmos. Para isso, o Euclid deve observar bilhões de galáxias em diferentes distâncias, utilizando a luz como um marcador temporal: quanto mais distante o objeto, mais antiga é a etapa da história cósmica revelada.

A primeira amostra de dados registrou galáxias a até 10,5 bilhões de anos-luz, permitindo a reconstrução de fases da evolução do Universo. O material inclui ainda aglomerados, núcleos galácticos ativos e cerca de 500 candidatas a lentes gravitacionais. Esse fenômeno ocorre quando a massa curva o espaço e altera a trajetória da luz de objetos distantes, criando distorções, arcos luminosos ou anéis de Einstein. Como muitas dessas deformações são sutis, a missão utiliza softwares e medições estatísticas para mapear a concentração de massa invisível.

Lançado em julho de 2023, o telescópio começou suas atividades científicas de rotina em 14 de fevereiro de 2024. A nave opera no ponto de Lagrange L2, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, posição que garante estabilidade térmica e visão ampla. A estrutura conta com um telescópio de 1,2 metro de diâmetro equipado com dois instrumentos: o VIS, para luz visível, e o NISP, que atua no infravermelho próximo como câmera e espectrômetro, contando com detectores fornecidos pela Nasa.

A estratégia de observação combina o mapeamento extenso com a análise de "campos profundos". Nessas áreas selecionadas, o Euclid acumula luz por meio de observações repetidas, técnica similar a uma exposição fotográfica longa, para detectar objetos mais tênues e calibrar os dados gerais. Diferente do Telescópio Hubble, que focou em regiões específicas, o Euclid foi projetado para medir padrões estatísticos em larga escala.

A missão nominal tem duração de seis anos, com possibilidade de extensão. A meta é cobrir cerca de um terço do céu, totalizando 14 mil graus quadrados, e catalogar mais de 1,5 bilhão de galáxias. Esse levantamento resultará em um mapa tridimensional da distribuição de matéria, permitindo analisar a formação de filamentos, aglomerados e vazios da teia cósmica, além da variação da expansão universal ao longo do tempo.

O consórcio científico envolve mais de 2 mil pesquisadores de 300 instituições em 15 países europeus, além de Estados Unidos, Canadá e Japão. Instituições ligadas ao Caltech e ao Laboratório de Propulsão a Jato apoiam a análise e o arquivamento dos dados. A primeira leva de informações já contou com a classificação de 380 mil galáxias via inteligência artificial, revisão especializada e apoio de cientistas cidadãos.

As próximas etapas de divulgação de dados estão programadas para 24 de junho de 2026, com uma segunda liberação rápida, e 21 de outubro de 2026, data prevista para a primeira grande entrega de dados científicos (DR1).

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