Telescópio Hubble poderá ser visto a olho nu sobre o Brasil nesta quarta-feira
O telescópio Hubble será visível a olho nu no Brasil nesta quarta-feira, entre 19h02 e 19h06. A observação ocorrerá nas regiões Sudeste, Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e sul da Bahia. O equipamento se deslocará do sudoeste para o nordeste como um ponto de luz constante

O telescópio espacial Hubble passará sobre o Brasil nesta quarta-feira, entre 19h02 e 19h06, permitindo a observação a olho nu para quem tiver céu limpo. O equipamento se deslocará do sudoeste para o nordeste, manifestando-se como um ponto de luz brilhante e contínuo, sem cintilações. Com magnitude entre +2 e +4, o brilho é comparável ao das estrelas mais intensas, o que torna desnecessário o uso de binóculos ou outros instrumentos ópticos.
A curta janela de observação, de apenas quatro minutos, é resultado da velocidade de deslocamento do telescópio, que viaja a aproximadamente 7,5 quilômetros por segundo em uma órbita a 537 quilômetros de altitude. O fenômeno de visibilidade ocorre durante o crepúsculo: enquanto a superfície terrestre já está na penumbra, o Hubble, devido à sua altitude, ainda recebe luz solar direta. Esse contraste permite que o equipamento reflita a luz do Sol e se destaque no céu escurecido antes de entrar na sombra da Terra.
De acordo com o clube de astronomia Centauri, as melhores condições de observação estarão no Sudeste, onde o telescópio atingirá uma elevação acima de 80 graus, quase no zênite, com o ponto mais alto previsto entre 19h03 e 19h04. Além do Sudeste, com destaque para Itapetininga, no interior de São Paulo, a passagem será visível nas regiões Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás e no sul da Bahia. Para facilitar a identificação, recomenda-se a busca por locais com horizonte livre e baixa iluminação artificial, já que a poluição luminosa em centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo pode prejudicar a visibilidade.
A capacidade de ser visto sem auxílio técnico deve-se às dimensões do Hubble — 13,2 metros de comprimento e 4,2 metros de diâmetro — e aos seus painéis solares laterais. O revestimento refletor do equipamento, somado à sua área de superfície, potencializa a reflexão da luz solar. Diferente de aviões, que possuem luzes intermitentes, ou de estrelas, que cintilam, o telescópio mantém um movimento linear e constante.
Lançado pela NASA em 24 de abril de 1990, o observatório é fundamental para a astronomia moderna, tendo contribuído para a descoberta da energia escura, a medição de distâncias galácticas via estrelas gigantes vermelhas e a análise de atmosferas de exoplanetas. O Hubble também é responsável por registros icônicos, como os Pilares da Criação na Nebulosa da Águia. Mesmo após a entrada em operação do Telescópio James Webb em 2022, o Hubble permanece ativo, complementando as pesquisas infravermelhas do sucessor com dados em comprimentos de onda visíveis e ultravioleta.
Para quem deseja acompanhar a passagem, que é considerada uma das mais brilhantes do ano no país, é recomendável posicionar-se cinco minutos antes do início do evento voltado para o sudoeste. Ferramentas como os aplicativos ISS Detector e Heavens-Above podem ser utilizadas para o rastreamento em tempo real da posição exata do equipamento.