Ciência

Telescópio James Webb confirma que exoplaneta HD 80606 b está entre os mundos mais quentes conhecidos

08 de Julho de 2026 às 06:03

O Telescópio James Webb confirmou que o exoplaneta HD 80606 b, com quatro vezes a massa de Júpiter, está entre os mundos mais quentes conhecidos. Localizado a 190 anos-luz da Terra, o corpo celeste apresenta temperaturas superiores a 600 ºC devido a uma órbita ovalada com ciclo de 111 dias

Telescópio James Webb confirma que exoplaneta HD 80606 b está entre os mundos mais quentes conhecidos
Joseph Olmsted (STScI)/NASA, ESA, CSA

Observações do Telescópio James Webb confirmaram que o exoplaneta HD 80606 b, apelidado de “Planeta Assado”, integra o grupo de mundos mais quentes já identificados. Localizado a 190 anos-luz da Terra, na constelação da Ursa Maior, o corpo celeste possui quatro vezes a massa de Júpiter e foi descoberto originalmente em 2001.

O diferencial do planeta reside em sua órbita extremamente ovalada, similar à trajetória de um cometa, o que o afasta do padrão de outros gigantes gasosos quentes que orbitam suas estrelas em trajetórias circulares e próximas. Esse movimento resulta em oscilações térmicas drásticas: enquanto passa a maior parte do tempo distante de sua estrela, o período de aproximação provoca um aumento rápido de temperatura, superando os 600 ºC.

A variação ocorre em um ciclo orbital de 111 dias. Durante essa translação, a estrela hospedeira chega a parecer 30 vezes maior no céu do exoplaneta. A precisão desses dados foi possível por meio da espectroscopia do James Webb, técnica que decompõe a luz em comprimentos de onda para ler assinaturas químicas e térmicas. Esse processo permitiu que a equipe de pesquisa avaliasse as mudanças moleculares do planeta conforme ele se aproxima ou se afasta do sol local.

O James Webb sucedeu o Telescópio Espacial Spitzer na análise deste sistema. Para Laura C. Mayorga, pesquisadora do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, a órbita incomum do HD 80606 b transforma o planeta em um laboratório eficiente. A possibilidade de coletar dados sobre variações de temperatura e composição química em poucas horas permite que as descobertas sejam aplicadas ao estudo de outros exoplanetas ou Júpiteres quentes mais convencionais.

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