Telescópio James Webb identifica a galáxia mais distante e luminosa de sua categoria já registrada
O telescópio James Webb identificou a galáxia W2246-0526, o objeto mais distante e luminoso de sua categoria, datado de 1,2 bilhão de anos após o Big Bang. O sistema possui um buraco negro supermassivo de até 23 bilhões de massas solares, responsável por até 81% da energia emitida. Pesquisadores da Universidade Europeia de Chipre detectaram nuvens de poeira em regiões polares e temperaturas de 180ºC no núcleo
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O telescópio James Webb permitiu a reconstrução estrutural da galáxia W2246-0526, identificada como o objeto mais distante e luminoso de sua categoria já registrado. Pertencente ao grupo Hot DOG (galáxias obscurecidas por poeira quente), a galáxia emana luz de um período remoto do universo, datado de 1,2 bilhão de anos após o Big Bang, com um deslocamento para o vermelho de z = 4,6.
A análise, detalhada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, revela que o núcleo da W2246-0526 é impulsionado por um buraco negro supermassivo com até 23 bilhões de massas solares. Este componente é responsável por gerar entre 72% e 81% de toda a energia emitida pelo sistema, superando a contribuição de populações estelares comuns. Paralelamente, a galáxia apresenta taxas de formação de estrelas milhares de vezes superiores às observadas na Via Láctea.
Para compreender a natureza do objeto, a equipe de pesquisadores da Universidade Europeia de Chipre, coordenada por Charalambia Varnava, aplicou modelos de distribuição espectral de energia em múltiplas longitudes de onda. Inicialmente, a hipótese de que a emissão resultava apenas da combinação entre a galáxia anfitriã, uma região de formação estelar e a poeira circundante ao buraco negro não foi capaz de reproduzir os dados de infravermelho médio.
A precisão do modelo foi alcançada ao adicionar nuvens de poeira nas regiões polares, situadas acima e abaixo do buraco negro, e não apenas em seu equador. Essa configuração sugere que a galáxia possui uma geometria onde a poeira é vista quase de perfil, com material opaco nas zonas polares que absorve radiação de alta energia e a reemite em níveis mais baixos.
A temperatura da poeira dominante na galáxia atinge 180ºC, índice que confirma a existência de um núcleo galáctico ativo. Os pesquisadores ressaltam que a presença dessas nuvens polares é uma evidência indireta, deduzida por meio de modelagem estatística e não por observação visual direta.