Telescópio James Webb identifica estrutura em forma de barra no centro da galáxia M77
O telescópio James Webb detectou uma estrutura em forma de barra no centro da galáxia M77, situada a 35 milhões de anos-luz da Terra. A observação via infravermelho revelou a formação e um buraco negro supermassivo que consome 0,23 massa solar por ano. O estudo identificou ainda anéis e áreas de formação estelar nos braços espirais da galáxia

O telescópio James Webb identificou uma estrutura em forma de barra no centro da galáxia espiral M77, também conhecida como Galáxia da Lula. Localizada a cerca de 35 milhões de anos-luz da Terra, a formação permaneceu invisível até então, pois estava oculta por densas concentrações de poeira cósmica que bloqueavam a luz e impediam a visualização direta do núcleo por instrumentos astronômicos convencionais.
A detecção foi possível graças aos sensores de luz infravermelha do telescópio, especificamente por meio das câmeras NIRCam e MIRI, que capturam imagens nos espectros infravermelho próximo e médio. Essa tecnologia permitiu atravessar as nuvens de poeira e revelar a barra galáctica, composta por gás, poeira e estrelas, além de detalhar a movimentação de matéria nas proximidades do núcleo.
No coração da M77, existe um buraco negro supermassivo extremamente ativo que consome material a uma taxa de aproximadamente 0,23 vezes a massa do Sol por ano. Esse processo de queda livre, sob intensas pressões e atritos gravitacionais, libera níveis colossais de energia. A massa concentrada nessa região central equivale a cerca de 13 milhões de vezes a massa solar, embora a organização exata dessa massa ainda não tenha sido definida.
Dados recentes levantam a hipótese da existência de dois buracos negros supermassivos orbitando muito próximos um do outro no núcleo. Contudo, a separação projetada entre eles é de apenas 0,1 parsec, distância que impede a distinção individual de cada objeto, mesmo com a precisão do James Webb.
As observações também registraram a dinâmica de formação estelar na galáxia. Foram identificadas áreas luminosas avermelhadas nos braços espirais, onde o colapso de grandes concentrações de gás sob efeito da gravidade gera novas estrelas. Ao redor da região central, foi detectado um anel de formação estelar com milhares de anos-luz de diâmetro, impulsionado pela própria estrutura gravitacional da galáxia.
Devido à sua posição favorável em relação à Terra e à distância relativamente curta para os padrões espaciais, a M77 é utilizada como um dos principais modelos para o estudo de núcleos galácticos ativos. A relevância da galáxia foi reforçada em 2022, quando cientistas rastrearam um neutrino de alta energia até seu interior. Como essas partículas subatômicas surgem apenas em ambientes de energia extrema, a descoberta classificou a Galáxia da Lula como um dos poucos aceleradores gigantes de partículas atômicas identificados fora da Via Láctea.