Ciência

Telescópio James Webb identifica estrutura em forma de barra no centro da galáxia M77

15 de Maio de 2026 às 09:07

O telescópio James Webb detectou uma estrutura em forma de barra no centro da galáxia M77, situada a 35 milhões de anos-luz da Terra. A observação via infravermelho revelou a formação e um buraco negro supermassivo que consome 0,23 massa solar por ano. O estudo identificou ainda anéis e áreas de formação estelar nos braços espirais da galáxia

Telescópio James Webb identifica estrutura em forma de barra no centro da galáxia M77
Telescópio James Webb identificou estrutura oculta no núcleo de Galáxia conhecida como M77 e revelou novos detalhes do espaço profundo. Fonte: ESA/Webb, NASA & CSA, A. Leroy.

O telescópio James Webb identificou uma estrutura em forma de barra no centro da galáxia espiral M77, também conhecida como Galáxia da Lula. Localizada a cerca de 35 milhões de anos-luz da Terra, a formação permaneceu invisível até então, pois estava oculta por densas concentrações de poeira cósmica que bloqueavam a luz e impediam a visualização direta do núcleo por instrumentos astronômicos convencionais.

A detecção foi possível graças aos sensores de luz infravermelha do telescópio, especificamente por meio das câmeras NIRCam e MIRI, que capturam imagens nos espectros infravermelho próximo e médio. Essa tecnologia permitiu atravessar as nuvens de poeira e revelar a barra galáctica, composta por gás, poeira e estrelas, além de detalhar a movimentação de matéria nas proximidades do núcleo.

No coração da M77, existe um buraco negro supermassivo extremamente ativo que consome material a uma taxa de aproximadamente 0,23 vezes a massa do Sol por ano. Esse processo de queda livre, sob intensas pressões e atritos gravitacionais, libera níveis colossais de energia. A massa concentrada nessa região central equivale a cerca de 13 milhões de vezes a massa solar, embora a organização exata dessa massa ainda não tenha sido definida.

Dados recentes levantam a hipótese da existência de dois buracos negros supermassivos orbitando muito próximos um do outro no núcleo. Contudo, a separação projetada entre eles é de apenas 0,1 parsec, distância que impede a distinção individual de cada objeto, mesmo com a precisão do James Webb.

As observações também registraram a dinâmica de formação estelar na galáxia. Foram identificadas áreas luminosas avermelhadas nos braços espirais, onde o colapso de grandes concentrações de gás sob efeito da gravidade gera novas estrelas. Ao redor da região central, foi detectado um anel de formação estelar com milhares de anos-luz de diâmetro, impulsionado pela própria estrutura gravitacional da galáxia.

Devido à sua posição favorável em relação à Terra e à distância relativamente curta para os padrões espaciais, a M77 é utilizada como um dos principais modelos para o estudo de núcleos galácticos ativos. A relevância da galáxia foi reforçada em 2022, quando cientistas rastrearam um neutrino de alta energia até seu interior. Como essas partículas subatômicas surgem apenas em ambientes de energia extrema, a descoberta classificou a Galáxia da Lula como um dos poucos aceleradores gigantes de partículas atômicas identificados fora da Via Láctea.

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