Ciência

Telescópio James Webb revela que planeta gigante migrou para órbita de anã branca após bilhões de anos

02 de Julho de 2026 às 06:10

Estudo publicado na Nature indica que o planeta gasoso WD1856b migrou para perto de sua anã branca bilhões de anos após o colapso estelar. A análise do Telescópio James Webb detectou metano, nuvens e temperatura de 400 Kelvin no corpo celeste

Telescópio James Webb revela que planeta gigante migrou para órbita de anã branca após bilhões de anos
NASA/ESA/CSA/Ralf Crawford (STScI)

A análise da atmosfera do planeta WD1856b, conduzida por uma equipe internacional com o auxílio do Telescópio Espacial James Webb (JWST), revelou como um gigante gasoso consegue orbitar uma anã branca sem ter sido destruído durante a morte de sua estrela. O estudo, publicado nesta quarta-feira (1º) na revista Nature, indica que o planeta, localizado a 80 anos-luz da Terra, não esteve próximo ao astro durante a fase de expansão estelar, mas migrou para sua posição atual bilhões de anos após a estrela ter colapsado.

O WD1856b possui massa estimada entre quatro e onze vezes a de Júpiter e completa sua órbita em apenas 1,4 dias. Essa proximidade extrema é incomum, pois estrelas semelhantes ao Sol expandem-se mais de 100 vezes ao se tornarem gigantes vermelhas antes de regredirem a anãs brancas, processo que geralmente consome os planetas internos. No caso do Sistema Solar, estima-se que Mercúrio e Vênus sejam engolidos quando o Sol morrer, daqui a cinco bilhões de anos, com a Terra correndo risco semelhante.

Para solucionar o enigma da sobrevivência do WD1856b, os pesquisadores avaliaram se o planeta teria resistido ao processo de ser engolido ou se teria permanecido distante durante a fase violenta da estrela, movendo-se para perto posteriormente sob influência gravitacional de outros corpos. A hipótese da migração é reforçada pelo fato de a anã branca integrar um sistema estelar triplo.

As medições do JWST identificaram que a temperatura do planeta é de cerca de 400 Kelvin (127°C), valor 240 graus superior ao que seria esperado se o aquecimento dependesse apenas da luz da anã branca. Ao cruzar esses dados com modelos de resfriamento de gigantes gasosos, a equipe concluiu que o WD1856b se aproximou da estrela entre 3 e 5,5 bilhões de anos após a formação da anã branca. Esse movimento orbital foi responsável por aquecer o planeta via gravidade, e ele vem esfriando gradualmente desde então.

A investigação também proporcionou a primeira caracterização atmosférica de um planeta orbitando uma estrela morta, detectando a presença de nuvens e metano.

Para o astrofísico Christopher O'Connor, da Universidade Northwestern, a descoberta amplia as possibilidades sobre a existência de planetas habitáveis no universo, ao demonstrar que corpos celestes podem sobreviver ao estágio final do ciclo de vida estelar. Ryan MacDonald, da Universidade de St. Andrews, complementa que o sistema funciona como um vislumbre do futuro distante do Sistema Solar, evidenciando que a evolução de um sistema planetário continua mesmo após a morte de sua estrela.

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