Ciência

Tinta Vantablack 310 pode reduzir a poluição luminosa de satélites no céu noturno

14 de Julho de 2026 às 06:16

Estudo da Universidade de Surrey indica que a tinta Vantablack 310, que reflete apenas 2% da luz, pode reduzir a poluição luminosa de satélites. O material atingiu magnitude entre 6,7 e 7,8, aproximando-se do limite recomendado pela União Astronômica Internacional. A eficácia será testada em ambiente espacial durante a missão Jovian-1

Tinta Vantablack 310 pode reduzir a poluição luminosa de satélites no céu noturno
Surrey NanoSystems

O uso do Vantablack 310, uma das tintas mais escuras desenvolvidas até hoje, pode se tornar fundamental para mitigar a poluição luminosa no espaço. Um estudo publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society investigou a aplicação desse material em satélites para reduzir o impacto visual dessas estruturas no céu noturno.

A eficácia do material reside na sua capacidade de absorção luminosa. A superfície tratada devolve tão pouca radiação que o cérebro humano não consegue identificar sombras, reflexos ou relevos, fazendo com que o objeto perca a aparência tridimensional e seja interpretado como um "buraco na realidade".

Desempenho técnico e simulações

Pesquisadores da Universidade de Surrey validaram em laboratório que o Vantablack 310 reflete apenas 2% da luz incidente. A partir desses dados, foram criados modelos físicos para simular a visibilidade de um satélite revestido enquanto percorre diferentes zonas de sua órbita, visto da Terra.

Os resultados das simulações indicaram que superfícies com esse tratamento atingem valores entre 6,7 e 7,8 na escala de magnitude AB. Nessa escala, números mais elevados representam objetos menos brilhantes. O desempenho do material aproximou-se do limite de magnitude 7, parâmetro recomendado pela União Astronômica Internacional para preservar a qualidade das observações científicas.

A superioridade do material torna-se evidente ao compará-lo com satélites convencionais. Um veículo da SpaceX sem cobertura, analisado no estudo, apresentou magnitude de 3,7, resultando em um brilho significativamente maior quando observado do solo. O Vantablack 310 também demonstrou performance comparável ou superior a tentativas anteriores, como o DarkSat e o VisorSat.

Estrutura e aplicação prática

A análise por microscopia eletrônica revelou que a tinta possui cavidades e formações semelhantes a corais. Essa arquitetura retém a radiação, dispersa a luz residual e reduz os reflexos diretos. Segundo a pesquisadora Astha Chaturvedi, autora principal do estudo, a escolha de materiais específicos pode reduzir drasticamente a interferência dos satélites na astronomia sem a necessidade de alterar profundamente o projeto das missões.

A fase seguinte da pesquisa consistirá em testes reais no espaço através da missão Jovian-1, um CubeSat desenvolvido pelas universidades de Surrey, Portsmouth e Southampton. Durante a missão, os cientistas irão:

  • Medir o brilho do material a partir da Terra;
  • Avaliar a durabilidade e a resistência da tinta;
  • Analisar o comportamento térmico e a viabilidade de integração em futuras naves espaciais.

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