Ciência

Treino de alta intensidade é mais eficaz que atividade moderada na recuperação de vasos sanguíneos

12 de Maio de 2026 às 06:21

Revisão científica com mais de 6,8 mil pacientes indica que o treino intervalado de alta intensidade (HIIT) recupera a saúde vascular de pessoas com insuficiência cardíaca e doença coronariana melhor que atividades moderadas. O HIIT apresentou ganho médio de 3,47% na função do endotélio, superando os 2,04% do exercício aeróbico moderado

Treino de alta intensidade é mais eficaz que atividade moderada na recuperação de vasos sanguíneos
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O treino intervalado de alta intensidade (HIIT) demonstra maior eficácia na recuperação da saúde dos vasos sanguíneos em pacientes com insuficiência cardíaca crônica e doença arterial coronariana do que a prática de atividades moderadas contínuas. A conclusão é resultado de uma revisão científica que analisou dados de mais de 6,8 mil pacientes, abrangendo 37 estudos clínicos e 80 grupos de intervenção.

A pesquisa utilizou a dilatação mediada por fluxo para medir a capacidade de expansão dos vasos, um indicador fundamental da saúde cardiovascular. Os dados revelaram que a função do endotélio — a camada interna dos vasos — melhora com quase todas as modalidades de exercício quando comparadas ao sedentarismo. No entanto, o HIIT apresentou resultados mais robustos e consistentes, com um ganho médio de 3,47%, superando os 2,04% obtidos pelo exercício aeróbico moderado.

O maior efeito observado foi registrado no treino combinado intenso, com alta de 8,25%. Contudo, os pesquisadores alertam que esse dado provém de apenas um grupo de estudo, sendo necessários novos ensaios clínicos para confirmar se essa é a estratégia mais eficiente. Outros resultados mostraram que o treino combinado moderado gerou ganho de 2,71%, enquanto o treino de força isolado não trouxe melhora significativa.

Do ponto de vista fisiológico, o esforço físico intensifica o fluxo sanguíneo, criando a chamada força de atrito (shear stress) nas paredes vasculares. Esse estímulo ativa o endotélio e amplia a liberação de óxido nítrico, substância que relaxa e promove a dilatação dos vasos. De acordo com Francis Souza, fisiologista da Comissão Científica do Instituto do Coração (InCor), esse processo melhora o controle do tônus vascular e gera adaptações estruturais, além de reduzir o estresse oxidativo e processos inflamatórios.

A análise indica que os benefícios são predominantemente funcionais, focados no endotélio, sem alterar a resposta da musculatura dos vasos, o que sugere que mudanças estruturais profundas demandariam mais tempo de treinamento. No caso do HIIT, a tendência é que intervalos de alta intensidade mais longos tragam mais benefícios do que intervalos curtos, embora essa observação ainda careça de estudos diretos conclusivos.

A intensidade do exercício é definida pelo esforço e condicionamento individual. No treino aeróbico, isso é medido pela frequência cardíaca ou percepção de esforço, como o "teste da fala": na intensidade alta, a pessoa sente dificuldade em completar frases devido à respiração acelerada. Já na musculação, a intensidade é determinada pela carga e pelo número de repetições.

Os achados sugerem que o HIIT mantém sua eficácia independentemente da patologia cardíaca do paciente, com ganhos potencialmente maiores em idosos, grupo que costuma apresentar maior comprometimento vascular. Diante disso, os autores defendem que a prescrição de exercícios na reabilitação cardíaca, atualmente centrada em atividades moderadas, evolua para incluir treinos mais intensos como alternativa ou complemento, preferencialmente com progressão gradual de carga.

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