Ciência

Tubarões nas Bahamas contêm resíduos de cafeína, cocaína e analgésicos em seus organismos

29 de Março de 2026 às 12:26

Tubarões capturados na ilha Eleuthera, nas Bahamas, apresentam resíduos de fármacos em seus organismos. Estudo analisou 85 amostras e detectou cafeína como o composto mais presente, além de cocaína e analgésicos. A presença desses compostos pode estar relacionada à exposição a águas residuais sem tratamento provenientes de hotéis locais

Tubarões nas Bahamas contêm resíduos de cafeína, cocaína e analgésicos em seus organismos
EFE/Andy Mann

Tubarões nas Bahamas apresentam resíduos de fármacos em seus organismos, revela estudo

Um levantamento inédito sobre os padrões químicos presentes no sangue de tubarões capturados na ilha Eleuthera, localizada nas Bahamas, trouxe à tona um sinal preocupante: a presença de substâncias perigosas em seus organismos. A pesquisa, realizada por uma equipe internacional composta por cientistas das Bahamas, Brasil e Chile, analisou 85 amostras de sangue coletadas ao redor da ilha.

A análise revelou que 28 tubarões apresentavam resíduos preocupantes em seus organismos. Entre as substâncias detectadas, destaca-se a cafeína como o composto mais presente nos espécimes analisados. Além disso, os pesquisadores também identificaram cocaína e analgésicos como acetaminofeno e diclofenaco.

A presença desses compostos no sangue dos tubarões pode ser resultado da exposição a águas residuais sem tratamento, especialmente em áreas com intensa atividade turística. A equipe de pesquisadores sugere que os resíduos podem chegar ao mar através das águas residuais provenientes de hotéis e resorts locais.

A bióloga Natascha Wosnick da Universidade Federal do Paraná, explicou à Science News que a cocaína pode ter sido detectada nos tubarões porque eles mordem coisas para investigá-las. Isso reforça a hipótese de que os animais podem estar se contaminando com resíduos presentes no ambiente.

Os autores do estudo enfatizam que é a primeira vez que a cafeína foi detectada em tubarões e também o primeiro registro da presença de cocaína nesses predadores nas Bahamas. Além disso, eles observaram indícios de que a exposição a essas substâncias pode estar relacionada ao estresse fisiológico e gasto energético mais elevado nos animais.

A equipe defende uma melhor gestão das águas residuais relacionadas ao turismo e novas pesquisas para esclarecer até que ponto essa poluição química está afetando a saúde dos tubarões.

Com informações de El Confidencial

Notícias Relacionadas