Universidade de Munique desenvolve robô-aranha capaz de recolher 250 quilos de resíduos no fundo do mar
A Universidade Técnica de Munique criou um robô-aranha subaquático para recolher até 250 quilos de resíduos em portos e zonas costeiras. O sistema, parte do projeto SeaClear, utiliza sonar, câmeras e inteligência artificial para identificar e coletar detritos com uma pinça robótica. A tecnologia foi testada no porto de Marselha em profundidades acima de 16 metros
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A Universidade Técnica de Munique (TUM) desenvolveu um robô-aranha subaquático capaz de recolher até 250 quilos de resíduos do fundo do mar. A tecnologia integra o projeto SeaClear, financiado pela União Europeia e composto por pesquisadores da Alemanha, França e Países Baixos, com o propósito de remover lixo de portos e zonas costeiras para proteger a fauna marinha e evitar que detritos cheguem às praias durante tempestades.
O sistema opera por meio de uma rede interconectada que inclui uma embarcação não tripulada, um drone de apoio aéreo e duas unidades subaquáticas. Enquanto uma unidade foca na detecção de resíduos via sonar, a outra utiliza uma pinça robótica para a coleta. O robô-aranha, que pesa 120 quilos, é conectado por um cabo à embarcação nodriça para recebimento de energia e dados, utilizando a mesma conexão para içar objetos pesados à superfície.
Para garantir a mobilidade e estabilidade, o dispositivo utiliza oito miniturbinas e possui uma estrutura envolta em espuma que o mantém flutuando quando os motores estão desligados. A navegação em águas turvas é viabilizada por um sistema de visão composto por sonar e câmera. A precisão na identificação de objetos fabricados por humanos é resultado de um treinamento de inteligência artificial baseado em mais de 700 imagens, que gera modelos tridimensionais para orientar a coleta sem causar danos aos itens.
A pinça autônoma de quatro dedos do robô exerce uma força de até 4.000 newtons, permitindo a fixação de materiais pesados como metais, redes e pneus. Para lidar com itens frágeis, como embalagens plásticas ou garrafas de vidro, o mecanismo utiliza sensores de pressão que regulam a força aplicada.
A tecnologia foi testada no porto de Marselha, operando em profundidades superiores a 16 metros. A solução visa substituir mergulhadores em áreas profundas e perigosas, combatendo a acumulação de resíduos no fundo dos oceanos, estimada entre 3 e 11 milhões de toneladas, volume que ameaça a estabilidade dos ecossistemas costeiros.