Ciência

Universidade de Oxford desenvolve vacina contra a variante Bundibugyo do vírus Ebola

23 de Maio de 2026 às 15:03

Pesquisadores da Universidade de Oxford desenvolvem vacina com tecnologia ChAdOx1 contra a variante Bundibugyo do Ebola, com testes clínicos previstos para dois ou três meses. A iniciativa responde a um surto na República Democrática do Congo que registra 750 casos suspeitos e 177 mortes. O imunizante será produzido pelo Serum Institute da Índia e aplicado via vacinação em anel

Universidade de Oxford desenvolve vacina contra a variante Bundibugyo do vírus Ebola
Getty Images/BBC

Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, desenvolvem uma vacina contra a variante Bundibugyo do vírus Ebola, com previsão de início dos testes clínicos em dois ou três meses. O imunizante utiliza a tecnologia ChAdOx1, a mesma plataforma adaptável empregada no combate à Covid-19. O método consiste no uso de um vírus de resfriado de chimpanzés, modificado geneticamente para ser seguro em humanos, que transporta o código genético da variante Bundibugyo para que o sistema imunológico aprenda a combater a doença sem causar a infecção.

A iniciativa ocorre em resposta a um surto na República Democrática do Congo, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou o risco de "alto" para "muito alto". No último domingo (17/05), a agência declarou a situação como emergência de saúde pública de interesse internacional, embora tenha ressaltado que o cenário não configura uma pandemia. Até o momento, a crise sanitária soma 750 casos suspeitos e 177 mortes.

A variante Bundibugugyo é rara e não era detectada há mais de dez anos, tendo causado surtos anteriores apenas em 2007, em Uganda, e em 2012, na República Democrática do Congo. Diferente da variante Zaire, que já possui vacina, a Bundibugyo não tem imunizantes validados e apresenta letalidade de aproximadamente um terço dos infectados. Outra vacina experimental contra essa cepa está em desenvolvimento, mas a estimativa de prontidão para testes é de seis a nove meses.

Atualmente, a vacina de Oxford passa por testes em animais. Assim que o material em padrão farmacêutico for disponibilizado, o Serum Institute da Índia assumirá a produção em larga escala. A professora Teresa Lambe, diretora de imunologia de vacinas do Oxford Vaccine Group, destaca a necessidade de preparação para o pior cenário possível, priorizando a agilidade no desenvolvimento mesmo que medidas de quarentena e rastreamento de contatos sejam suficientes.

Diferente das campanhas de vacinação em massa, o imunizante contra o Ebola seria aplicado via "vacinação em anel", focando apenas em profissionais de saúde e contatos próximos de pacientes infectados. A equipe de Oxford já possui experiência anterior no desenvolvimento de vacinas semelhantes para o vírus Marburg e para a variante Sudão do Ebola.

A doença é causada por um vírus que infecta animais, como morcegos frugívoros, e chega aos humanos pelo consumo ou manuseio desses animais. A transmissão interpessoal ocorre através do contato com fluidos corporais, como sangue e vômito. Os sintomas, que surgem entre dois e 21 dias, iniciam-se com febre, cefaleia e fadiga, podendo evoluir para vômitos, diarreia, falência de órgãos e hemorragias internas e externas.

Para conter a propagação na República Democrática do Congo, o governo local, a OMS e a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) montam centros de tratamento e equipes de resposta em Bunia. As orientações à população incluem o distanciamento social, a não ingestão de carne crua, a evitação de contato com corpos de pessoas ou animais mortos e a comunicação imediata de sintomas por meio de um canal telefônico gratuito.

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