Ciência

Universidade de Princeton desenvolve robô impresso em 3D que se movimenta por meio do calor

10 de Abril de 2026 às 09:17

Engenheiros da Universidade de Princeton desenvolveram um robô flexível impresso em 3D que se movimenta via calor, utilizando elastômero de cristal líquido e circuitos integrados. O dispositivo dispensa motores e sistemas pneumáticos, operando por meio de contração térmica controlada. A tecnologia foi testada em um modelo de grou capaz de realizar movimentos programáveis

Engenheiros da Universidade de Princeton criaram um robô flexível impresso em 3D que altera sua forma e se desloca por meio do calor, dispensando o uso de sistemas pneumáticos ou motores. O dispositivo, desenvolvido sob a liderança dos professores Glaucio Paulino e Emily Davidson, utiliza elastômero de cristal líquido (LCE), material com estrutura molecular ordenada que possibilita a contração térmica controlada.

A movimentação ocorre via placas de circuito impresso flexíveis embutidas no polímero. Quando a eletricidade percorre esses circuitos, áreas específicas são aquecidas, acionando o movimento sem a necessidade de componentes mecânicos tradicionais. Para direcionar a força da contração e garantir que a dobra aconteça apenas nos pontos planejados, a equipe integrou painéis finos de fibra de vidro entre as dobradiças, criando zonas rígidas que conferem fluidez e coordenação aos movimentos, assemelhando-se a organismos biológicos.

A fabricação é realizada em uma impressora 3D personalizada que deposita o polímero fundido em zonas padronizadas. Diferente de aplicações superficiais, os sensores de temperatura e os circuitos eletrônicos são integrados diretamente ao corpo do robô, o que viabiliza um controle de circuito fechado sobre o aquecimento das articulações.

A eficácia do sistema foi comprovada com a construção de um robô no formato de um grou, inspirado no origami japonês. Ao receber corrente elétrica, as dobradiças de polímero se contraem, fazendo a estrutura bater as asas. O dispositivo é capaz de executar sequências de movimentos programáveis em tempo real e retornar à sua forma original.

A ausência de tubos de ar e engrenagens reduz a complexidade e o peso do projeto, elevando a durabilidade da estrutura. Testes laboratoriais confirmaram que o sistema opera repetidamente sem apresentar degradação ou desgaste significativo. Por não depender de motores volumosos ou bombas externas, a tecnologia permite a navegação em espaços restritos e oferece respostas rápidas a variações térmicas, facilitando ajustes imediatos de postura ou trajetória.

O estudo, publicado na revista Advanced Functional Materials, indica que a combinação de eletrônicos embarcados e elastômeros de cristal líquido estabelece um novo padrão para a robótica suave. A inovação abre caminho para máquinas autônomas e adaptáveis, com potencial aplicação em atividades que demandem alta resistência estrutural e movimentos delicados.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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