Ciência

Universidade de Wuhan cria robô que imita peixes para monitorar o Rio Yangtzé

28 de Abril de 2026 às 15:28

A Universidade de Wuhan desenvolveu um robô subaquático biomimético de 53 centímetros para monitorar o Rio Yangtzé. O dispositivo utiliza propulsão por nadadeiras e inteligência artificial para analisar a qualidade da água e detectar poluentes

A Universidade de Wuhan apresentou, em 14 de maio de 2025, um robô subaquático biomimético de 53 centímetros, desenvolvido por estudantes e professores para atuar na proteção do Rio Yangtzé. O dispositivo, que imita a anatomia e a natação de peixes reais, utiliza articulações corporais para reproduzir movimentos naturais, integrando sensores de desvio de obstáculos e recursos de aprendizado por inteligência artificial.

Diferente dos drones submarinos convencionais, que dependem de hélices, essa nova geração de máquinas utiliza a propulsão inspirada em nadadeiras. Conforme detalhado em artigo publicado em 2025 na revista científica *The Innovation*, esses sistemas autônomos priorizam a manobrabilidade, a discrição operacional e a redução de ruídos, o que amplia a eficiência do deslocamento e minimiza o impacto ambiental durante o monitoramento aquático.

A base tecnológica do projeto é a biomimética, campo da engenharia que replica soluções da natureza para substituir sistemas mecânicos tradicionais por movimentos ondulatórios. Essa abordagem permite que o robô ajuste seu comportamento diante de correntes e objetos através de algoritmos de aprendizado, operando como uma plataforma inteligente com mínima intervenção humana.

No âmbito ambiental, a tecnologia é aplicada na análise da qualidade da água, detecção de poluentes e coleta de dados em ecossistemas sensíveis, permitindo o acesso a áreas onde drones comuns teriam dificuldade de navegação. Paralelamente, a ausência de hélices e o comportamento silencioso conferem ao dispositivo um potencial de uso dual, sendo útil tanto para a inspeção de estruturas submersas quanto para o monitoramento estratégico de áreas marítimas, devido à sua baixa detectabilidade.

O projeto integra um esforço maior da China em tecnologias autônomas, que já inclui robôs inspirados em águas-vivas e outros organismos marinhos, visando ampliar a presença tecnológica em locais de acesso humano limitado. Embora a robótica subaquática seja uma tendência global, a abordagem biomimética se diferencia ao priorizar a adaptação ao ambiente em vez da força mecânica.

Apesar do estágio avançado de pesquisa, a tecnologia ainda enfrenta desafios para aplicações em larga escala, como a necessidade de maior autonomia energética e a resistência a pressões em ambientes marinhos profundos. A perspectiva de evolução prevê a operação desses robôs em grupos ou redes integradas, expandindo a capacidade de coleta de dados e a exploração oceânica por meio de sistemas discretos e adaptáveis.

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