Ciência

Uso de dispositivos eletrônicos por cuidadores está associado ao apego inseguro em adolescentes norte-americanos

25 de Junho de 2026 às 06:09

Estudo com 600 jovens norte-americanos entre 12 e 17 anos associou a percepção de distração de cuidadores por dispositivos eletrônicos a níveis elevados de apego inseguro. A pesquisa utilizou a Escala de Interferência do Dispositivo no Apego para correlacionar a sensação de ser ignorado a vínculos afetivos ansiosos e evitativos

Uso de dispositivos eletrônicos por cuidadores está associado ao apego inseguro em adolescentes norte-americanos
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A percepção de adolescentes sobre a distração de seus cuidadores com dispositivos eletrônicos apresenta uma associação consistente com níveis elevados de apego inseguro. O estudo, realizado com 600 jovens norte-americanos entre 12 e 17 anos em agosto de 2025, indica que a sensação de competir com telas pela atenção dos pais está ligada a padrões de apego ansioso e evitativo, que podem resultar em maiores dificuldades emocionais, problemas de saúde mental e relações interpessoais prejudicadas.

Para mensurar esse fenômeno, os pesquisadores validaram a Escala de Interferência do Dispositivo no Apego (DAIS). A ferramenta analisa a frequência com que o jovem se sente ignorado, a percepção de que o cuidador passa tempo excessivo no aparelho e a crença de que esse comportamento prejudica o vínculo familiar. Os resultados mostraram que, independentemente de a figura principal de cuidado ser a mãe ou o pai, escores mais altos na escala DAIS correlacionam-se a vínculos afetivos mais inseguros.

A investigação fundamenta-se em conceitos como a *technoference* (interferência da tecnologia nas relações), o *phubbing* (ato de ignorar alguém em favor do celular) e a "presença ausente", quando o indivíduo está fisicamente no local, mas mentalmente desconectado. Dados anteriores reforçam a frequência desses comportamentos: em 2020, 68% dos pais admitiram distrações ocasionais com o celular na presença dos filhos, enquanto em 2024, 46% dos adolescentes relataram que os pais se distraem com aparelhos durante conversas.

Essas dinâmicas contrastam com a teoria do apego de John Bowlby, que estabelece que a disponibilidade emocional e a resposta sensível dos cuidadores são essenciais para a formação de vínculos seguros, promovendo bem-estar e satisfação com a vida. Em contrapartida, o apego inseguro é associado a quadros de depressão, ansiedade, baixa autoestima, isolamento social e dificuldades na regulação emocional.

Os autores do estudo observam que, ao contrário de traumas como abusos ou rupturas familiares, a distração digital é um comportamento sob controle voluntário dos pais. Assim, interrupções breves e repetitivas na atenção podem ter relevância emocional significativa para o adolescente.

Embora a correlação seja forte, a pesquisa ressalva que não foi provado que o uso de dispositivos cause diretamente a insegurança no apego. Como o estudo é transversal e baseado em autorrelatos, existe a possibilidade de que jovens que já possuem estilos de apego inseguro interpretem a disponibilidade dos pais de forma mais negativa. Para dirimir essa questão, os pesquisadores defendem a necessidade de estudos longitudinais que acompanhem as famílias ao longo do tempo.

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