Ciência

USS Gerald R. Ford substitui catapultas a vapor por sistema de lançamento eletromagnético de aeronaves

29 de Abril de 2026 às 06:33

O USS Gerald R. Ford utiliza dois reatores A1B para gerar até três vezes mais energia que a classe Nimitz. A potência elétrica substituiu sistemas hidráulicos e a vapor, viabilizando o uso do Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves. A estrutura suporta operações de longo alcance e a integração de novas tecnologias de combate

O USS Gerald R. Ford, primeiro navio da classe Ford da Marinha dos Estados Unidos, foi projetado para atuar como uma base aérea móvel, integrando em sua plataforma sistemas de propulsão, defesa, comunicação, aviação embarcada e suporte médico. A embarcação utiliza dois reatores A1B, que, segundo a World Nuclear Association, possuem maior potência que os reatores A4W da classe Nimitz, conferindo ao navio uma vida útil prolongada e reduzindo a dependência de combustíveis convencionais para o deslocamento.

A planta de propulsão do navio gera significativamente mais eletricidade do que as gerações anteriores. Um relatório da RAND Corporation sobre o programa CVN 21 indicou que a capacidade de geração elétrica seria cerca de 2,5 vezes superior à da classe Nimitz, enquanto fontes oficiais da Marinha americana afirmam que o navio produz aproximadamente três vezes mais energia. Embora existam estimativas abertas que associem a capacidade térmica a 600 megawatts, não há confirmação pública de que esse valor represente a eletricidade utilizável.

Essa reserva energética permitiu a substituição de sistemas hidráulicos e a vapor por componentes elétricos, alterando a distribuição interna de energia. Um dos principais exemplos dessa transição é o Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves (EMALS). Desenvolvido pela General Atomics, o EMALS utiliza controle eletrônico e motores lineares de indução para acelerar aeronaves no convés, substituindo as catapultas a vapor. A tecnologia possibilita uma aceleração mais controlada, reduz o desgaste estrutural dos aviões e amplia a variedade de pesos e velocidades das aeronaves lançadas, abrangendo desde caças até drones e aviões de apoio.

A infraestrutura do USS Gerald R. Ford sustenta a operação de milhares de pessoas em missões distantes da costa, alimentando radares, centros de comando, redes digitais, climatização e sistemas de dessalinização para a produção de água potável. A maior folga elétrica garante que o navio receba atualizações tecnológicas e novos sistemas de combate ou processamento de dados ao longo de décadas de serviço, sem a necessidade de reformas estruturais profundas em sua arquitetura.

Apesar da autonomia nuclear para propulsão e geração de energia, a embarcação mantém dependências logísticas. O funcionamento operacional exige reabastecimentos constantes de munições, alimentos, peças e itens de manutenção. A eficácia do grupo aeronaval, portanto, resulta da integração entre a autonomia do navio, a defesa em camadas e o suporte coordenado de navios de apoio e escoltas.

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