Ciência

Vênus possui a rotação mais lenta entre todos os planetas do Sistema Solar

20 de Maio de 2026 às 06:23

Estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, publicado na Nature Astronomy, indica que Vênus possui a rotação mais lenta do Sistema Solar, levando 243,0226 dias terrestres para girar sobre seu eixo. O movimento é retrógrado e a velocidade equatorial é de 6,5 quilômetros por hora

Vênus possui a rotação mais lenta entre todos os planetas do Sistema Solar
Vênus tem o dia mais longo do Sistema Solar: a rotação do planeta leva 243 dias terrestres e sua atmosfera gira 60 vezes mais rápido. imagem: ilustrativa

Vênus apresenta a rotação mais lenta entre todos os planetas do Sistema Solar, com um giro sobre o próprio eixo que leva 243,0226 dias terrestres. O dado foi consolidado por um estudo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, publicado na revista Nature Astronomy, após 15 anos de monitoramento via ondas de rádio emitidas pela Antena Goldstone, da NASA. Essa dinâmica revela que, em Vênus, o dia sideral é mais longo que o ano, já que a órbita completa ao redor do Sol dura cerca de 225 dias terrestres.

A lentidão do giro planetário é atribuída a dois fatores principais: a maré gravitacional do Sol, que atua como um freio ao longo de bilhões de anos, e a densidade da atmosfera. Composta por mais de 96% de dióxido de carbono e pressão 90 vezes superior à da Terra, a atmosfera gera marés térmicas que exercem torque sobre o corpo celeste. O resultado é uma velocidade equatorial de apenas 6,5 quilômetros por hora, contrastando com os 1.670 quilômetros por hora registrados na Terra.

Além da lentidão, Vênus possui uma rotação retrógrada, girando no sentido oposto à maioria dos planetas. Com uma inclinação axial de 177 graus, o planeta está praticamente invertido, o que faria com que o Sol nascesse no oeste e se pusesse no leste. As teorias sobre essa inversão variam entre a ocorrência de uma colisão massiva durante a formação do Sistema Solar ou a ação conjunta de interações atmosféricas e marés solares.

Essa combinação de rotação lenta e sentido inverso altera a percepção do dia solar — o intervalo entre duas passagens do Sol pelo mesmo ponto do céu. Em Vênus, esse ciclo dura 116,75 dias terrestres, fazendo com que um ano venusiano contenha aproximadamente 1,92 dia solar.

Enquanto a superfície é lenta, as camadas superiores da atmosfera exibem a chamada super-rotação, completando uma volta ao redor do planeta em apenas quatro dias terrestres. Esse movimento é cerca de 60 vezes mais rápido que o da superfície, gerando ventos de até 360 quilômetros por hora. A densidade das nuvens de ácido sulfúrico, que impedem a visão direta da superfície, obrigou a equipe de Jean-Luc Margot a utilizar ondas de rádio para obter as medições de rotação.

As condições ambientais de Vênus são extremas, com temperatura média de 465 graus Celsius devido ao efeito estufa, superando até Mercúrio. A pressão na superfície equivale à de 900 metros de profundidade nos oceanos terrestres. Tais condições foram testadas pelas sondas soviéticas do programa Venera entre as décadas de 1970 e 1980, que resistiram por no máximo duas horas no solo.

O estudo do planeta, frequentemente chamado de "gêmeo do mal" da Terra por possuir tamanho e massa semelhantes, é essencial para analisar a habitabilidade de exoplanetas na Via Láctea. Para aprofundar esse conhecimento, as missões VERITAS e DAVINCI, da NASA, e a EnVision, da Agência Espacial Europeia, planejam mapear a superfície com radares de alta resolução e investigar a possível existência de oceanos líquidos no passado do planeta.

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