Ciência

Vértebra coletada há 40 anos é identificada como o primeiro fóssil de dinossauro da Antártida

01 de Julho de 2026 às 09:16

Uma vértebra de eutitanossauro, coletada em 1985 na península de Ulu, foi identificada como o primeiro fóssil de dinossauro da Antártida. O osso, datado de 82 milhões de anos, pertencia a um animal de 6 a 7 metros de comprimento. A análise foi publicada na revista Acta Palaeontologica Polonica

Vértebra coletada há 40 anos é identificada como o primeiro fóssil de dinossauro da Antártida
Mike Thomson/British Antactic Survey

Uma vértebra de dinossauro, coletada há 40 anos na Antártida, foi identificada como o primeiro fóssil de dinossauro encontrado no continente. A peça, descoberta em 1985 pelo geólogo Mike Thomson na península de Ulu, ao noroeste da ilha James Ross, permaneceu nas coleções geológicas do British Antarctic Survey, em Cambridge, até que estudos recentes confirmassem sua natureza. Na época da coleta, o objetivo da expedição era o estudo de camadas rochosas e a busca por invertebrados, como ammonites, para a datação do terreno.

O estudo, publicado na revista *Acta Palaeontologica Polonica*, classifica o osso como uma vértebra caudal anterior de um eutitanossauro. Este grupo pertence aos saurópodes de pescoço longo, linhagem que abrigou os maiores animais terrestres da história, com espécies que superavam 15 toneladas. No entanto, a análise do exemplar antártico indica que o animal teria entre 6 e 7 metros de comprimento, sugerindo que se tratava de um indivíduo jovem ou de uma espécie de porte menor.

O fóssil foi extraído da Formação Santa Marta, datada do Cretáceo tardio, há aproximadamente 82 milhões de anos. Por se tratar de um depósito marinho, a evidência indica que o corpo do animal foi arrastado para o oceano após a morte, onde permaneceu no fundo antes de ser enterrado e fossilizado.

A identificação ocorreu após Mark Evans, responsável pelas coleções do British Antarctic Survey, revisar o acervo e suspeitar da origem do osso, confirmando a intuição registrada nas notas de campo de Thomson, que já mencionava a possibilidade de ser a vértebra de um grande réptil.

A descoberta contribui para o mapeamento paleontológico da Antártida, região onde o registro de dinossauros é extremamente escasso devido à cobertura de gelo e à dificuldade de acesso às rochas. O achado reforça a tese de que, durante o Cretáceo, a Antártida era um território de florestas temperadas e fazia parte da Gondwana, mantendo conexões geográficas com a Austrália, Nova Zelândia e América do Sul.

De acordo com Paul Barrett, do Natural History Museum de Londres, a peça é historicamente relevante por ser o marco inicial da exploração de dinossauros no continente. Além disso, os pesquisadores sugerem que a península Antártica pode ter servido como rota de migração para que os saurópodes da América do Sul chegassem à Zealandia, dado que as evidências de titanosaurios na Nova Zelândia são limitadas e não há registros confirmados desse grupo na Austrália.

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