Clima

Defesa Civil alerta para temporais e possibilidade de tornados no Rio Grande do Sul

16 de Julho de 2026 às 09:06

A Defesa Civil e o Inmet alertam para temporais no Rio Grande do Sul entre quinta-feira (16) e sábado (18), com ventos de 60 a 100 km/h e chuvas de até 150mm. O risco de granizo, rajadas de vento e tornados atinge inicialmente o Sul, Campanha e Oeste, expandindo-se para todo o estado, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre

Defesa Civil alerta para temporais e possibilidade de tornados no Rio Grande do Sul
Getty Images

O Rio Grande do Sul está sob alerta de temporais a partir desta quinta-feira (16), com validade até sábado (18). De acordo com a Defesa Civil do Estado, o período de maior criticidade deve ocorrer entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado.

As áreas do Sul, Campanha e Oeste do estado enfrentam riscos de tempestades acompanhadas de queda de granizo e rajadas de vento, com a possibilidade de ocorrência de tornados. A previsão indica que os ventos podem atingir velocidades entre 60 e 100 km/h, enquanto o volume de chuva pode chegar a 150mm, com a possibilidade de precipitações concentradas em curtos intervalos de tempo.

Abrangência e monitoramento

O aviso da Defesa Civil converge com o alerta de perigo potencial emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), focado inicialmente nas regiões sul e oeste gaúchas nesta quinta-feira. No entanto, a tendência é de agravamento das condições meteorológicas entre sexta e sábado, momento em que o aviso de perigo para tempestades passará a abranger praticamente todo o território gaúcho, incluindo a Região Metropolitana de Porto Alegre.

Complementando a análise, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) projeta chuvas fortes para a região Sul do Brasil. A previsão é de que uma frente fria avance a partir de quinta-feira e permaneça estacionária até segunda-feira, resultando em volumes de chuva significativos ao longo de vários dias consecutivos.

Dinâmica climática e "rios voadores"

A intensificação das tempestades é impulsionada pelo Jato de Baixos Níveis (JBN), fenômeno conhecido como rios atmosféricos ou rios voadores. Trata-se de correntes intensas de ventos situadas entre 1 e 3 km de altitude que transportam ar quente e úmido da Amazônia para o Centro-Sul da América do Sul.

Quando o JBN interage com sistemas frontais vindos do sul do continente, ocorre um aumento da instabilidade atmosférica e da convergência de umidade, o que favorece a formação de tempestades severas. Embora o transporte de umidade da Amazônia seja menor durante o inverno, o fenômeno deve atuar de forma intensa sobre a Região Sul neste episódio.

Impactos globais e ambientais

Os rios atmosféricos são colunas de vapor d'água que movem cerca de 90% da umidade total nas latitudes médias da Terra. Em termos de volume, um rio atmosférico médio pode mover umidade a uma taxa 15 vezes superior à do rio Mississippi e duas vezes maior que o fluxo regular do Amazonas.

Além do Brasil, o fenômeno deve atingir o Chile neste fim de semana. Um rio atmosférico de alta intensidade (categorias 4 e 5) avança pelo Oceano Pacífico, com previsão de causar chuvas extremas, ventos fortes e nevadas intensas na Cordilheira dos Andes, afetando regiões como Valparaíso, Metropolitana, Biobío, Maule, Ñuble, O'Higgins e Coquimbo.

A ciência indica que o aquecimento global tem tornado esses corredores de vapor mais longos, largos e destrutivos. Desde a década de 1960, o vapor de água atmosférico global cresceu até 20%, elevando o risco de inundações e deslizamentos catastróficos em escala mundial. No contexto sul-americano, a preservação da Floresta Amazônica é crucial, pois o desmatamento ameaça a formação desses rios voadores, que são vitais para a biodiversidade e a produção agrícola ao evitar a desertificação de regiões distantes.

Notícias Relacionadas