Clima

Sinais de novo episódio de El Niño são detectados no Oceano Pacífico

07 de Junho de 2026 às 06:07

A Organização Meteorológica Mundial estima 90% de probabilidade de ocorrência do El Niño este ano, com temperaturas no Oceano Pacífico 0,5 °C acima da média desde fevereiro. O fenômeno pode causar secas no Norte e Nordeste e aumento de chuvas no Sul do Brasil. A Defesa Civil da União monitora diariamente a situação junto a órgãos técnicos e governos

Sinais de novo episódio de El Niño são detectados no Oceano Pacífico
Renan Mattos/REUTERS via DW

Sinais de um novo episódio de El Niño já são detectados no Oceano Pacífico, com a movimentação de uma massa de água aquecida em direção à costa da América do Sul. O monitoramento realizado por satélites, radares e boias oceânicas indica que a temperatura da superfície do mar na região equatorial permanece cerca de 0,5 °C acima da média desde fevereiro, preenchendo o critério de três meses de elevação necessário para a identificação do fenômeno.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima em 90% a probabilidade de ocorrência do El Niño este ano. Entre o final de abril e meados de maio, as medições na área de referência já se aproximavam dos níveis típicos do evento, com temperaturas abaixo da superfície superando a média em mais de 6 ºC. A principal incerteza atual reside na intensidade do fenômeno e na localização exata do maior aquecimento oceânico, fatores que determinarão a magnitude dos impactos no território brasileiro.

Caso se confirme em intensidade forte, a tendência é o agravamento de secas no Norte, especialmente na Amazônia, e em partes do Nordeste, com riscos elevados de queimadas e prejuízos à produção agrícola. No Sul, a previsão é de aumento do volume de chuvas. O cenário reacende alertas no Rio Grande do Sul, que em 2024 enfrentou a pior inundação de sua história devido a uma combinação de eventos climáticos que incluiu um El Niño intenso.

A possibilidade de impactos severos já repercute no Congresso Nacional, onde se discute a vulnerabilidade da economia, da população e do agronegócio. A próxima safra de grãos, com estimativa de 356 milhões de toneladas (alta de 1,2% frente ao ciclo anterior), está no centro dessas preocupações. Para mitigar riscos, a Defesa Civil da União, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, mantém acompanhamento diário junto ao Inmet, ao Cemaden e a governos estaduais e municipais.

Apesar do monitoramento, a gestão de riscos no país enfrenta gargalos de adaptação e investimento. Em Santa Catarina, embora tenha sido decretado estado de alerta climático até novembro, dados do Sistema Integrado de Planejamento e Gestão Fiscal (Sigef-SC) revelam que a Secretaria de Proteção e Defesa Civil executou apenas 15,4% dos recursos previstos para 2025. O investimento em barragens é ainda mais crítico, com apenas 0,66% do total empenhado.

A falta de planejamento contínuo e a dependência da confirmação de fenômenos específicos para a implementação de medidas preventivas são apontadas como falhas estruturais. Esse cenário é agravado por dificuldades na comunicação de risco, onde a proliferação de previsões desencontradas por influenciadores e consultorias privadas em redes sociais gera alarmismo ou desinformação, dificultando o acesso da população a orientações técnicas e seguras.

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