Economia

Alemanha movimenta US$ 21 bilhões em trocas comerciais e consolida parceria econômica com o Brasil

03 de Julho de 2026 às 09:03

Alemanha e Brasil movimentam US$ 21 bilhões em trocas comerciais e US$ 44 bilhões em investimentos diretos. O acordo Mercosul-União Europeia ampliou a cooperação em tecnologia e infraestrutura, enquanto o governo alemão destinou R$ 387,8 milhões ao Fundo Amazônia e R$ 2,94 bilhões ao Fundo Clima

A Alemanha movimenta US$ 21 bilhões em trocas comerciais com o Brasil, posicionando-se como o quarto principal parceiro comercial do país. O volume de investimentos diretos acumulados atinge US$ 44 bilhões, o que coloca a nação sul-americana na sétima posição da lista alemã.

Durante a AHK Business Breakfast, promovida pela Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu a manutenção de níveis de protecionismo econômico e a aliança com governos previsíveis e pautados pela cultura democrática. Wadephul argumentou que a cooperação entre países fundamentados na segurança jurídica, legalidade e igualdade de direitos é a estratégia necessária diante de um cenário global de desconfiança. O ministro citou a política tributária de Donald Trump nos Estados Unidos como exemplo de desordem rejeitada pela Alemanha e classificou o Brasil como um parceiro próximo.

A necessidade de coordenação política para autodefesa econômica foi destacada por Wadephul, mencionando a exportação de veículos chineses a preços inferiores aos do mercado interno como uma forma de escoar a produção excedente.

No âmbito industrial, Svenja Ahlburg, vice-presidente regional do Wilo Group, afirmou que a relevância do Brasil para a indústria alemã é superior ao que é divulgado publicamente. Ahlburg ressaltou que a redução tarifária e as medidas do acordo firmado entre as partes não são suficientes sem a presença de inovação, competitividade e geração de valor local. A meta é transformar o Brasil em um hub industrial, superando a condição de apenas mercado consumidor.

A cooperação bilateral foi ampliada em maio deste ano com o Acordo Mercosul-União Europeia, abrangendo setores de inteligência artificial, defesa, infraestrutura, tecnologias quânticas, bioeconomia, eficiência energética, economia circular e pesquisas climáticas e oceânicas.

No campo ambiental, a Alemanha é um dos principais financiadores de projetos de restauração florestal, combate ao desmatamento e redes de produção sustentável. Por meio do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, o país aportou R$ 387,8 milhões via contratos celebrados em 2010, 2017 e 2022. O fundo já beneficiou 192 unidades de conservação, 122 terras indígenas, 75 mil indígenas e 259 mil pessoas em atividades produtivas sustentáveis. Adicionalmente, em abril, a Alemanha comprometeu R$ 2,94 bilhões ao Fundo Clima, destinado a pesquisas e ações para a redução de emissões de gases de efeito estufa e mitigação dos impactos das mudanças climáticas no Brasil.

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