Aluguel em Lisboa supera a renda média dos trabalhadores e atinge a pior taxa da Europa
O custo médio de aluguéis em Lisboa subiu 42% desde 2020, exigindo 116% do salário médio local. O cenário é impulsionado pelo turismo, nômades digitais e expatriados, afetando a população brasileira. Moradores organizam manifestações para que o governo português trate a habitação como emergência nacional
O custo de locação de imóveis em Lisboa atingiu um patamar onde o valor médio do aluguel supera a renda dos trabalhadores, consolidando a habitação como um dos problemas centrais de Portugal. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços subiram 42% desde 2020, o que significa que um imóvel com custo de 1 mil euros há seis anos é cotado hoje em aproximadamente 1.420 euros (R$ 8,1 mil).
Dados do Conselho Europeu indicam que a capital portuguesa possui a pior taxa da Europa nesse indicador, exigindo 116% do salário médio para a quitação do aluguel. Esse cenário é impulsionado pela conversão de residências em hospedagens de curto prazo para atender ao turismo, além do aumento da demanda gerado por nômades digitais e expatriados que retornam ao país.
A crise impacta severamente a comunidade brasileira, a maior população estrangeira em Portugal, resultando em precariedade habitacional ou no abandono do país. Um exemplo é o de Jorge, profissional de marketing que reside em Portugal desde 2017. Mesmo com rendimentos mensais de 2 mil euros (R$ 11,5 mil) — valor superior à média salarial local —, ele não consegue arcar com um aluguel próprio e passou a viver em um quarto na casa de um amigo.
A insatisfação tem levado moradores a organizarem manifestações para exigir que o governo português trate a habitação como uma emergência nacional e garanta o direito à moradia. Entre as medidas apontadas para mitigar o problema está a ampliação da oferta de moradias sociais, setor que permanece limitado em Portugal quando comparado a outras nações europeias, enquanto o segmento de imóveis de luxo continua em expansão.