Economia

Arábia Saudita reduz ou interrompe megaprojetos da Visão 2030 devido a limitações financeiras

31 de Maio de 2026 às 18:05

A Arábia Saudita reduziu ou cancelou megaprojetos da Visão 2030, como The Cube e o circuito de golfe LIV, devido à queda nos preços do petróleo e à falta de investimentos estrangeiros. O projeto Neom teve a cidade The Line simplificada e a estação Trojena sofreu cortes, resultando na transferência dos Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 para o Cazaquistão. O Fundo Soberano de Riqueza agora prioriza a eficiência financeira e a sustentabilidade dos desembolsos

Arábia Saudita reduz ou interrompe megaprojetos da Visão 2030 devido a limitações financeiras
AFP via Getty Images/BBC

A Arábia Saudita promoveu uma recalibragem em seus gastos públicos, resultando na redução, paralisação ou abandono de diversos megaprojetos integrados ao plano Visão 2030. O movimento é impulsionado por necessidades financeiras, reflexo da queda nos preços do petróleo anterior aos conflitos recentes no Oriente Médio e pela ausência de investimentos estrangeiros no volume esperado.

O impacto mais significativo ocorre no projeto Neom, avaliado em US$ 500 bilhões. A cidade linear "The Line", que previa 170 km de extensão, teve seu conceito simplificado. Já a estação de esqui Trojena sofreu cortes em sua infraestrutura, que incluía hotéis de luxo e pistas permanentes; como consequência, os Jogos Asiáticos de Inverno de 2029 foram transferidos para o Cazaquistão. Outras perdas definitivas incluem o "The Cube", complexo de escritórios e apartamentos orçado em US$ 50 bilhões, e o circuito de golfe LIV, que consumiu US$ 5 bilhões sem gerar retorno econômico ou de prestígio.

Para financiar a transição para uma economia menos dependente de combustíveis fósseis, o país utiliza o Fundo Soberano de Riqueza (PIF), que detém quase US$ 1 trilhão. No entanto, a gestão do fundo agora prioriza a eficiência de desembolsos e a sustentabilidade financeira em um novo plano quinquenal.

Essa trajetória de anúncios grandiosos seguidos de reduções não é inédita no reino. Na década de 2000, o programa "Cidades Econômicas" do rei Abdullah também falhou em diversificar a economia. O exemplo mais notável foi a Cidade Econômica Rei Abdullah, com investimento de US$ 100 bilhões, que não se consolidou como centro de negócios e turismo, mantendo a taxa de desemprego em 12% em 2016.

A instabilidade política e a falta de previsibilidade jurídica também afastaram investidores. A detenção de empresários e funcionários no hotel Ritz-Carlton, apresentada como combate à corrupção, e o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi impactaram a imagem internacional do governo de Mohammed bin Salman (MBS).

Apesar dos retrocessos nos megaprojetos, a Visão 2030 registrou avanços sociais, como a permissão para mulheres dirigirem, e a atração de eventos globais, culminando na conquista da Copa do Mundo de 2034. Projetos com viabilidade mais realista, como a revitalização de Diriyah, o parque Six Flags Qiddiya City e o centro turístico de AlUla, seguem em desenvolvimento.

Atualmente, a estratégia saudita migra de conceitos futuristas para "pequenas vitórias", como o resort de Sindalah. Contudo, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã trouxe nova confusão estratégica, prejudicando setores de inteligência artificial, mineração e turismo, e forçando o governo a reformular constantemente suas metas de investimento.

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