Economia

Banco Central cria sistema de registro de duplicatas para reduzir custos de antecipação de recebíveis

17 de Julho de 2026 às 06:07

O Banco Central criou um sistema de registro para duplicatas escriturais com a participação de entidades como B3, Cerc e Núclea. A medida utiliza boletos dinâmicos para ampliar a concorrência e reduzir custos na antecipação de recebíveis, mercado que movimenta R$ 10 trilhões anuais

O Banco Central implementou um novo sistema de registro para duplicatas escriturais, documentos digitais que comprovam créditos de vendas a prazo. A iniciativa visa elevar a concorrência e diminuir os custos no mercado de antecipação de recebíveis, operação em que empresas convertem valores futuros em liquidez imediata.

O volume de vendas a prazo no Brasil, considerando as notas fiscais emitidas, movimenta aproximadamente R$ 10 trilhões anualmente. Esse fluxo abrange setores com alto potencial de antecipação, como o comércio e as incorporadoras imobiliárias.

Operacionalização e Segurança

Para viabilizar o modelo, o Banco Central autorizou entidades privadas, incluindo B3, Cerc e Núclea, a realizar a escrituração e o registro desses títulos. A previsão é que a estrutura, sob supervisão da autoridade monetária, opere plenamente até o encerramento deste ano.

A inovação técnica baseia-se nos boletos dinâmicos, que asseguram que o pagamento efetuado pelo cliente seja direcionado automaticamente à instituição financeira que antecipou os recursos. Esse mecanismo mitiga riscos de erro e amplia a segurança jurídica e operacional das transações.

Impacto no Crédito e Juros

Atualmente, empresas que utilizam boletos para vendas a prazo dependem majoritariamente da instituição emissora do documento. Essa dependência limita a busca por crédito em outras entidades, restringindo as opções de financiamento.

Com a nova sistemática, as empresas poderão:
* Comparar ofertas de diferentes instituições financeiras;
* Escolher taxas de juros mais baixas para a antecipação;
* Acessar uma maior disponibilidade de crédito.

A diversificação dos agentes que podem verificar a titularidade dos recebíveis deve forçar a redução dos juros cobrados dos tomadores de crédito.

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